A Canção do Oceano

Em um mercado dominado pela indústria cinematográfica norte-americana, pelas animações da Disney e da Pixar que vencem todos os prêmios da Academia, Globos de Ouro e etc., além de ganharem os holofotes e as grandes bilheterias, um desenho como A Canção do Oceano (Song of the Sea, IRL/ING/BEL, 2014) é uma raridade bem vinda.

maxresdefaultDepois que sua mãe morreu um casal de irmãos chamado Ben e Saoirse se mudam do farol à beira da costa em que vivem com seu pai para a casa de sua avó na cidade. Lá é mais seguro, afirma ela, embora consideravelmente tediosos. No entanto, nem Ben, nem sua avó sabem que Saoirse é uma pequena criatura mágica, capaz de se transformar em uma foca, e que ela é a última de sua espécie.

Constatada essa realização, os dois irmãos devem voltar para o litoral e recuperar um manto perdido para salvar o mundo mágico e a garota Saoirse cuja saúde está se tornando cada vez mais debilitada, uma vez que seus poderes diminuem. E, se não bastasse essa dificuldade, eles são perseguidos por corujas mágicas, dominadas por uma entidade que transforma as criaturas mágicas em pedra, depois que seu filho, um gigante, perdeu sua amada esposa e chorou todo um oceano.

Em um ano em que a disputa pelas bilheterias mundiais – e os prêmios, foi dominada por Como Treinara-canc3a7c3a3o-do-oceano-cena-4 o seu Dragão 2, Uma Aventura Lego e o eventual vencedor do Oscar Operação Big Hero 6, esta animação é um colírio para os olhos. Ela não fez um décimo da bilheteria que os três filmes acima citados fizeram e, embora tenha sido merecidamente indicada ao Oscar em 2015, ainda aguarda o reconhecimento que lhe é merecido.

Eu adoro filmes assim. Filmes com uma história simples, orçamento baixo e um visual diferente. A Canção do Oceano me lembra um pouco As Bicicletas de Belleville de 2003. Mas seu diretor, Thomas Moore, foi capaz de criar uma identidade estética própria, mais etérea. Não se fazem mais filmes assim, até quê, para nossa sorte, eles são feitos.

Roberto Fideli

Jornalista e mestrando da Faculdade Cásper Líbero. Fanático por cinema, desenhos japoneses, fantasia e ficção científica. Seu sonho é ser piloto de naves espaciais, mas não tem coordenação motora para isso.

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