A Ficção Científica e seus diretores

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Listamos cinco diretores que vieram para salvar a ficção científica, cinco que vieram para destruí-la e cinco que deveriam filmar ou voltar a filmá-la

Stanley Kubrick, George Lucas, Ridley Scott e Steven Spielberg são, provavelmente, alguns dos maiores diretores de ficção científica de todos os tempos. Filmes como 2001: Uma Odisséia no Espaço, Guerra nas Estrelas, Blade Runner e E.T. redefiniram nossas concepções sobre um dos gêneros mais populares do cinema internacional.

Fiz uma seleção com quinze nomes de diretores que trabalham ou deviam trabalhar com FC. Confira abaixo os indivíduos que vieram para salvar a ficção científica, os que estão destinados a destruí-la e aqueles que ainda não se aventuraram nos confins de uma galáxia, muito, muito distante.

5 Diretores que vieram para salvar a Ficção Científica

Christopher Nolan [O Cavaleiro das Trevas, A Origem

Sempre tive um pé atrás com Nolan. Inglês, o cineasta foi o responsável por transformar a franquia Batman numa franquia de sucesso depois de Tim Burton. Seu filme Inception, deixou muitos de queixo caído apresentando um universo elaborado e repleto de regras. Mais parecia um jogo do que um sonho. Apesar de sua criatividade, os filmes de Nolan não tem alma, e o cineasta peca por excesso. Posso reclamar o que quiser. No entanto, Nolan trouxe o cinema comercial a um patamar diferente e mais inteligente. E por isso, somos extremamente gatos.

J. J. Abrams [Missão Impossível III, Star Trek, Super 8]

Quando trabalha com os roteiristas Alex Kurtzman e Roberto Orci, os filmes de Abrams são bobos e condescendentes. No entanto, Super 8 é uma pequena obra prima. Abrams trás o olhar maravilhado e infantil que antes pertenceu a Steven Spielberg e, assim como Nolan, pegou uma franquia destinada à cineastas pouco criativos e orçamentos baixos e transformou em coisa de gente grande, com Star Trek. Ele é um diretor de Space Opera, o que é bom. Mas também exagera na dose, o que é ruim. Precisa de escritores melhores, mas é legal saber que existem crianças trabalhando em Hollywood ainda. A indústria precisa delas.

Joseph Krosinski [Tron: o Legado, Oblivion]

Joseph Krosinski é arquiteto, o que significa que ele sabe compor imagens incríveis e que ficam com você. Esse tipo de ficção científica futurista e contemplativa é algo que eu aprecio muito e é uma qualidade rara na FC contemporânea. Amigo pessoal de David Fincher, Krosnisnki também aprendeu a utilizar a trilha sonora ao seu favor e, com uma ajudinha de Daft Punk e M 8.3, criou músicas memoráveis. Mas seus filmes tem péssimas e infantis histórias, o que é um erro grave: nunca se deve infantilizar o público infantil, quanto menos o adulto. Tron é uma catástrofe e, embora Oblivion tenha sido melhor, está longe de ser uma obra prima. Mais um caso de um diretor que tem talento, mas que precisa de roteiros melhores. Onde já vi isso antes?

Duncan Jones [Lunar, Source Code]

Filho de David Bowie, Jones faz um tipo de ficção científica humana e otimista. Isso sim é raro. Mais do que isso, sua FC é inteligente. Pois é. Lunar é um filme ao estilo clássico, que se assemelha mais ao suspense, mas que te pega pela emoção e pela complexidade de sua história. Source Code, por sua vez, é um suspense que começa alucinante e aumenta conforme a narrativa progride. É em Duncan Jones, muito provavelmente, que reside o futuro da ficção científica de alto nível dentro do cinema, uma de poucos recursos, mas muita imaginação.

Neill Blomkamp [Distrito 9, Elysium]

Sul-Africano, Blomkamp lançou em 2006 o curta Ao vivo de Joburg. Peter Jackson viu e deu ao jovem cineasta 60 milhões de dólares para fazer “o que ele quisesse”. O resultado foi o sensacional Distrito 9, uma FC suja, feita e violenta, repleta de ação ao melhor estilo Duro de Matar, que ainda consegue juntar bons personagens, uma história inteligente, experimentalismo cinematográfico e sátira político-social. Um nocaute. A estreia no cinema foi tão impactante que o filme foi indicado ao Oscar de Melhor Filme e Blomkamp recebeu a indicação de Melhor Roteiro. Não é para menos. Eu gosto desse tipo de Ficção Científica. No entanto, o diretor só lançará seu segundo filme, Elysium, em agosto deste ano. Até lá, é difícil prever se ele continua afiado como da primeira vez. Eu espero que sim. O trailer, estrelando Matt Damon, Jodie Foster e Wagner Moura (é, ele mesmo), é incrível.

5 diretores que vieram para destruir a Ficção Científica

teven Spielberg [E.T., Indiana Jones, A.I., Minority Reporty, Guerra dos Mundos]

Houve uma época, longínqua, distante, quase esquecida, em que o nome de Steven Spielberg era sinônimo de boa ficção científica. Era nas mãos dele que as histórias ganhavam grande orçamento e espetaculares efeitos especiais e tudo o que ele tocava se transformava em ouro. Bom, isso foi naquela época. Seu último bom filme de FC foi Minority Report em 2002. Desde então ele nos agraciou com Guerra dos Mundos (2005) e Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (2008). Sem contar o Tintim de 2011 e A.I. Inteligência Artificial de 2001. Algo parece ter se perdido na alma do cineasta nesses últimos filmes. Ele podia ter nos poupado.

Ridley Scott [Alien – O Oitavo Passageiro, Blade Runner, Prometheus]

Na década de 70 e 80 Ridley Scott dirigiu dois dos maiores filmes de ficção científica de todos os tempos. Alien – O Oitavo Passageiro (1979) e Blade Runner (1983), considerado o melhor filme de ficção científica da história. Desde então, ele abandonou o gênero para filmar épicos merrecas de ação (Gladiador, Cruzada), pessoas correndo na selva (Robin Hood), mulheres loucas na estrada (Telma e Louise) e Nicolas Cage (Os Vigaristas). Quando foi anunciado que ele voltaria à franquia de Alien com Prometheus, o mundo parou para olhar. O resultado, no entanto, foi um filme esdrúxulo, burro e vergonhoso. No geral, a decepção do ano. Nós queremos o Ridley Scott de 30 anos atrás. Este aqui pode ficar em casa.

George Lucas [THX 1138, Star Wars]

Pra gerar polêmica: George Lucas é simplesmente o cineasta responsável pela maior franquia de filmes de FC de todos os tempos. Se você não sabe que estou falando de Star Wars, sugiro procurar outro blog. Depois de ter consagrado o gênero Space Opera na década de 70 e 80 e criado uma legião de fãs interminável, Lucas voltou à franquia que ele mesmo criou em 1999, com Star Wars Episódio 1, a Ameaça Fantasma. E a destruiu. Os três novos filmes são tão ruins, mas tão ruins, que fizeram até alguns fãs mais leais da saga pensarem que havia algo errado. E há. Pois Lucas pegou o que era uma obra simbólica, inteligente e ousada e transformou numa baboseira infantil e sem propósito, linda de se ver, mas oca por dentro. O cineasta recentemente anunciou sua aposentadoria das telas. Ótimo. Já vai tarde.

Michael Bay [Armageddon, A Ilha, Transformers]

A pergunta é: qual foi a última vez que Michael Bay fez um bom filme de ficção científica? Mas deveria ser: qual foi a última vez que Michael Bay fez um bom filme? Bem, eu gosto de Armageddon, mas ele dificilmente pode ser considerado ‘bom’. A Ilha começa bem, mas se transforma logo em uma perseguição melodramática. Transformers tinha potencial, mas Michael Bay é quem estava dirigindo. O grande problema de Michael Bay é que seus filmes vendem, portanto os estúdios lhe dão dinheiro para fazer mais filmes. Seria melhor se um meteoro caísse em sua cabeça. Ou dois só para ter certeza.

Lana and Andy Wachowski [Matrix, Speed Racer, Cloud Atlas]

São outros que criaram uma legião incontestável e fiel de fãs com um único filme bom na carreira, o clássico Matrix. No entanto, 14 anos e uma mudança de sexo depois, os irmãos Wachowski nunca acertaram de novo, mas não desistiram de tentar. As continuações do Cult fizeram com que os fãs grunhissem de raiva interna e Speed Racer é um dos piores filmes que eu já vi. O mais recente blockbuster, Cloud Atlas é ousado e tem uma boa premissa. No entanto, o que era para se tornar um épico espiritual se transformou em quase 3 horas de decepções atrás de decepções. Reza a lenda que eles planejam um novo épico de FC, desta vez estrelando Natalie Portman. Não, por favor, não.

5 Diretores que deveriam começar a filmar ficção científica

David Fincher [Se7en, Clube da Luta, Zodíaco, A Rede Social]

Fincher iniciou sua carreira no cinema aos 29 anos com o filme de FC, Alien³. O resultado foi uma catástrofe e Fincher abandonou o projeto antes mesmo de estar completo e jurou nunca mais retornar. Uma versão estendida com 30 minutos a mais, no entanto, fez muitas pessoas refletirem sobre o fato de que o filme não é tão ruim assim. Fincher tirou leite de pedra com a interferência do estúdio e falta de liberdade criativa. 21 anos, duas indicações ao Oscar e consagração cinematográfica universal depois, Fincher não precisaria se preocupar mais com interferências. Ele atualmente é um dos melhores cineastas do mundo e seu estilo ágil, sombrio e perfeccionista cairia bem em qualquer filme de FC que ele quisesse filmar.

Nicolas Winding Refn [Pusher 1, 2 e 3, O Guerreiro Silencioso, Drive]

O jovem cineasta dinamarquês Nicolas Winding Refn tem uma capacidade rara de constantemente se reinventar estilisticamente. Seu filme Drive, que mistura um romance neo-noir com ultraviolência pop foi um nocaute. Atualmente ninguém manipula melhor luz (ou a ausência dela), cor e som para criar ambientações diferentes e – muitas vezes – bizarras. Seu uso de trilha sonora também é impressionante. Seu novo filme, Only God Forgives, está dividindo opiniões no festival de Cannes. Estiloso e violento, ele é tudo que Refn representa, mas isso não significa que deva agradar o público. Não importa. Reza a lenda que Refn irá adaptar Logan’s Run, do livro de George Clayton Johnson e William F. Nolan em data não marcada, mas possivelmente estrelando Ryan Gosling. Se for o caso, mal podemos esperar para ver.

Michael Haneke [Caché, Violência Gratuíta, A Fita Branca, Amor]

Outra grande lenda do cinema internacional é que Michael Haneke uma vez enviou um roteiro original de um filme de ficção científica para Hollywood e foi rejeitado. Alemão, Haneke fez sua carreira filmando obras sobre violência, que atuaram como ferrenhas sátiras e críticas sociais de nossa época. Com duas Palmas de Ouro e um Oscar de Melhor Filme Estrangeiro no currículo, arrisco dizer que Haneke é o melhor diretor da atualidade. No entanto, seus filmes são frios, ásperos e, muitas vezes, quase insuportáveis de se assistir. É assustador, portanto, pensar o que ele poderia fazer com o gênero da FC, mas não menos instigante.

Michael Mann [Fogo Contra Fogo, O Informante, Colateral, Miami Vice, Inimigos Públicos]

Michael Mann é um cineasta ousado, inteligente e estiloso, mas inconstante. Fez grandes filmes como O Informante, Fogo Contra Fogo e Colateral, mas também porcarias como Miami Vice e Inimigos Públicos. Mesmo assim, ele é aquele tipo de diretor que tem um imenso conhecimento técnico e histórico sobre cinema, e que é advento da tecnologia digital. Seria interessante aplicar essas características em um gênero do cinema no qual elas são muito bem vindas.

Quentin Tarantino [Cães de Aluguel, Pulp Fiction, Kill Bill Vol. I e II, Bastardos Inglórios, Django Livre]

Pra gerar um pouco de polêmica, o último diretor da lista é Quentin Tarantino. Tarantino nunca fez filmes sobre invasão alienígena, guerras interestelares ou algo do tipo. Fato é que seria incrivelmente divertido pensar no que poderia acontecer se ele fizesse. Tarantino já recebeu ofertas para trabalhar em dezenas de filmes, incluindo Batman, mas sempre recusou para filmar seus próprios roteiros. Digno. Ninguém escreve – ou dirige – filmes como Tarantino. Mesmo assim, há alguns que acreditem que a história alternativa da Segunda Guerra Mundial, Bastardos Inglórios, seja de fato, ficção científica mascarada. Nesse caso, Tarantino devia fazer como Spielberg e, diante da possibilidade, tacar um alien no meio do negócio. Pode nem dar certo, mas que eu ia ver eu ia.

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Jornalista e mestrando da Faculdade Cásper Líbero. Fanático por cinema, desenhos japoneses, fantasia e ficção científica. Seu sonho é ser piloto de naves espaciais, mas não tem coordenação motora para isso.
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