A última aventura de Artemis Fowl

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Artemis Fowl, o garoto prodígio do crime, agora prefere ser chamado de garoto gênio. As coisas mudaram nos últimos anos: ele não é mais um adolescente que quer dominar o mundo, acima e abaixo da crosta terrestre. Artemis quer, na verdade, salvar o mundo. Em sua última aventura, o anti-herói enfrenta novamente sua mais temida rival, a diabrete Opala Koboi. Junto de Butler, seu guarda-costas, e Holly Short, sua melhor amiga dos subterrâneos e capitã da LEP, ele precisa exorcizar os espíritos que habitam os corpos de seus irmãos gêmeos e salvar todos os humanos da destruição. E eles só têm até o amanhecer para frustar os terríveis planos de Opala.

Depois de viagens no tempo, paradas temporais, ouro, rebelião de trolls, túneis de anões, e até mesmo um complexo mágico que desestabiliza Artemis completamente, chegou a hora de terminar as aventuras com as fadas. Em O Último Guardião, oitavo e último volume da série de Eoin Colfer, acompanhamos Artemis por uma frenética luta onde tudo começou: a Mansão Fowl.

Depois de elaborar sua fuga da prisão, Opala Koboi vai até a Mansão para libertar os Furiosos, espíritos de antigos guerreiros. Segundo a lenda, quem os libertar será seu mestre. Ela pretende usar as criaturas aprisionadas para destruir a humanidade inteira. Além da fechadura que os prende, há uma segunda, elaborada para acabar com o povo da lama instantaneamente. Os humanos são um dos maiores problemas do povo do subterrâneo, e Opala pretende se tornar uma heroína e governar a Terra.

Para deter o plano megalomaníaco de Opala, Artemis e seus amigos precisam driblar o intelecto de um dos irmãos menores dele, lidar com piratas zumbis, coelhos malvados e uma série de outras criaturas habitadas pelos Furiosos. E, é preciso frisar, antes de amanhecer. Aparentemente, a Mansão Fowl foi construída sobre um campo altamente mágico, o que explica porque todos os Fowls anteriores tentaram encontrar o Povo das Fadas. Mas como sofriam apagamento mental, ninguém lembrava de nada quando conseguia. O único que obteve sucesso nessa empreitada e ainda conseguiu driblar Potrus e seu sistema inovador e apagamento mental por “desentupidores de pia”, foi Artemis.

Eoin Colfer retorna aos primórdios dos primeiros livros de Artemis Fowl. Ali estão as sequências mirabolantes de planos, a tecnologia do povo das fadas roubada pelo garoto-gênio, Holly Short mostrando que é mais do que um rostinho bonito da polícia e Butler sendo… bem, nocauteado algumas vezes. Porque, convenhamos, se você tem um mordomo de mais de 2 metros de altura e versado em todas as artes marciais existentes, às vezes é preciso nocauteá-lo para que outros resolvam o problema.

Foram mais de dez anos esperando o final dessa série. Apesar dos últimos três livros terem sido meio enrolados com espaço-tempo dando nó no cérebro das pessoas e personagens marcantes completamente abandonados, ou aparecendo esporadicamente, a única coisa que deixou a desejar foi a completa falta de romance. Quer dizer, sabemos que Artemis tem problemas sérios para lidar com pessoas da idade dele, e que Holly é um pouco velha demais, mas, apesar do aparecimento de Minerva em algum ponto do quinto ou sexto livro, e um leve roçar de lábios entre Artemis e a capitã Short, nada acontece. OK, sabemos também que esse não era o propósito do livro. Mas que ele podia ter, ao menos, se apaixonado em algum momento de toda essa história, podia.

A finalização da série foi melhor do que o esperado. Depois da decepção com os livros anteriores, que eram realmente bem escritos e impossíveis de largar, mas extremamente fracos frente à primeira trilogia Fowl, foi com grande prazer que Artemis Fowl finalmente terminou. E de uma forma surpreendente e, é claro, genial, assim como o pré-adolescente pálido que resolveu sequestrar uma criatura do subterrâneo numa lua cheia.

Ficha: Eoin Colfer, Artemis Fowl: o Último Guardião (Artemis Fowl The Last Guardian). Editora Galera Record. Tradução: Alves Calado . 368 páginas. R$ 40.

Gabriela Colicigno

Jornalista, ruiva, nerd, geek e louca por chocolate. Passa a maior parte do tempo do dia no computador, vendo seriados no Netflix, lendo um livro, ouvindo música ou brincando com os gatos.

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