Adeus, Ursula Le Guin

Quem o Who’s Geek há algum tempo, sabe que eu e a Gabi somos fãs da Ursula Le Guin, tanto como escritora de fantasia e ficção científica, como pensadora e personalidade dentro do meio literário. Em luz do seu falecimento nesta terça-feira dia 23 de janeiro, decidimos fazer um vídeo em sua homenagem.

Ursula Kroeber Le Guin nasceu em Berkley, na Califórnia, no dia 21 de outubro de 1929. Durante sua carreira de quase 60 anos, ela escreveu romances de fantasia, ficção científica e mainstream, mais de cem contos, ensaios, poesia e livros infantis. Ela venceu o prêmio Hugo de melhor romance duas vezes, pelos maravilhosos A Mão Esquerda da Escuridão e Os Despossuídos, ambos publicados aqui no Brasil pela editora Aleph.

Ela também ganhou os prêmios Nebula, Locus e Word Fantasy Award mais de uma vez. Em 2003, Le Guin foi eleita grã-mestre de ficção científica, uma das pouquíssimas autoras a receberem essa honraria e, em 2014, recebeu uma medalha de mérito do National Book Foundation, em reconhecimento à sua contribuição às letras nos Estados Unidos. No dia de sua morte, o crítico Harold Bloom disse que ela foi responsável por elevar os gêneros da fantasia e ficção científica e fantasia para o reino da alta literatura.

De fato, Le Guin se destacou por ser uma das poucas autoras a alcançar sucesso tanto na literatura de gênero – e, portanto, de nicho – quanto na literatura mainstream, que historicamente priorizou o gênero do realismo. Ela escreveu literatura mainstream também: mais notavelmente a série de livros Orsinian Tales, que se passam no país fictício de Orsinia. Mas se tornou mais conhecida por seus romances de fantasia e ficção científica.

Le Guin foi uma das responsáveis pelo surgimento do movimento New Wave dentro da ficção científica e, ao lado de nomes como Philip K. Dick, Michael Moorcock, Brian Aldiss e J.G. Ballard, introduziu elementos de psicologia e antropologia ao reino da FC e da fantasia. Suas obras se destacavam pelo uso desses elementos, criando mundos complexos e personagens ainda mais complexos. Destaca-se o mundo de A Mão Esquerda da Escuridão que imaginava uma sociedade sem gênero.

A série de livros Ciclo de Terramar¸ que recentemente começou a ser publicada no Brasil pela editora Arqueiro, introduziu o conceito de escola de magia e influenciou autores como Neil Gaiman e J.K. Rowling. Voltado para o público infanto-juvenil, as histórias do Ciclo de Terramar são complexas e profundas, mas ao mesmo tempo acessíveis.

Aqui no Brasil, o conto de Le Guin, Os Que se Afastam de Omelas foi traduzido e figurou na coleção de histórias Rumo à Fantasia, editada por Roberto de Sousa Causo e publicada pela Devir em 2009. Porém, além desses títulos, outras obras da autora que podem ser encontradas em português (seja brasileiro ou de Portugal), incluem: O Flagelo dos Céus, O Lugar do Início, Planeta do Exílio, entre outros.

É difícil mensurar a importância de Ursula Le Guin para a literatura ocidental, seja ela de gênero ou não, nos últimos mais de cinquenta anos. Certamente, seu legado vai muito além de prêmios, méritos e honras. Durante sua ilustre carreira, ela fez questionamentos profundos, desafiou o status quo e usou a imaginação para criticar sistemas de opressão e imaginar maneiras como as coisas poderiam ser diferentes, o trabalho mais importante de qualquer escritor.

* Ursula Le Guin faleceu em Portland, Oregon, no dia 23 de janeiro de 2018. Ela tinha 88 anos.

Roberto Fideli

Jornalista e mestrando da Faculdade Cásper Líbero. Fanático por cinema, desenhos japoneses, fantasia e ficção científica. Seu sonho é ser piloto de naves espaciais, mas não tem coordenação motora para isso.

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