Cavaleiros da Antiga República 2 alimenta os fãs de Star Wars

star_wars_cavaleiros_da_antiga_republica_2O primeiro livro do ciclo de HQs de Star Wars conhecido como Cavaleiros da Antiga República — inspirado num videogame com o mesmo nome —, foi resenhado aqui no fim do ano passado. Nunca é tarde para uma atualização, especialmente considerando que as narrativas de John Jackson Miller estão entre os melhores quadrinhos de Star Wars que já encontrei.

A história segue as desventuras de Zayne Carrick, testemunha e único sobrevivente de um grupo de aprendizes Jedi vítimas de um elaborado complô para evitar a realização de uma profecia que alerta contra a aparição, de entre eles, de um Lorde Negro que iria desequilibrar a galáxia. Zayne foge, alia-se ao alienígena picareta profissional Marn “Gryph” Hierogryph, e os dois passam a ser perseguidos tanto pelos Jedi quanto pelas autoridades da República, pegando alguns amigos durante a jornada, especialmente Camper e Jarael (um mecânico idoso meio gagá e a garota de aparência élfica que o acompanha). Para complicar ainda mais, no meio do caminho havia uma guerra com os mandalorianos… Isso tudo, quase quatro mil anos antes dos eventos da Batalha de Yavin, o grande marco cronológico da saga de Star Wars.

É interessante que Cavaleiros da Antiga República 2 comece com uma situação vivida justamente pelo líder do complô jedi, Mestre Lucien, o principal antagonista do herói Zayne. Habilmente, Jackson lança uns flashbacks da infância de Lucien, aprofundando a sua caracterização e tornando-o mais próximo do leitor. Ficamos sabendo da sua rigorosa e opressora criação como herdeiro de uma família aristocrática, e do seu primeiro contato com a menina cega que se tornaria a profetiza Jedi que anuncia a ameaça do Lorde Negro. Além disso, esse primeiro segmento oferece o vislumbre um mestre Jedi da mesma espécie de Yoda — nove ou dez mil anos antes de Yoda ter entrado em cena na saga.

Quando Zayne aparece, ele, Gryph, Camper e Jarael estão tentando dar um golpe numa instituição bancária. Uma dupla de atrapalhados caça-prêmios alienígenas está na cola deles, e no meio da confusão acabam sequestrando o bancário Arvan. Quando Zayne intervém, ficamos sabendo que Arvan é ninguém menos que seu pai. Logo, o herói tem, com a introdução do elemento família, uma caracterização equilibrada com a de Lucien.

Uma das sacadas mais inspiradas do livro está no episódio “Dias de Medo”, em que, por obra de outro alienígena trapalhão, o reptiliano Slyssk (da mesma espécie que o caça-prêmio Bossk de O Império Contra-Ataca), Zayne e Gryph acabam de posse de uma nave roubada — uma nave-refeitório que logo se agrega a uma esquadra das forças espaciais da República, a caminho de mais uma batalha contra os invasores mandalorianos. Quantas vezes você não se perguntou como comem todas aquelas tropas que aparecem em Star Wars? E a comida feita por Slyssk a bordo da nave-refeitório faz sucesso com as tropas…

Depois de se safarem do ataque de um robô assassino, numa cena que traz de volta à equipe o mandaloriano renegado Rohlan, os heróis eu sua lanchonete espacial instalam-se com a esquadra no planeta dos Stereb, no front mandaloriano. Ali se dá um dos momentos climáticos do livro, quando os invasores — com a ajuda de um incompetente almirante da República — realizam um terrível ataque contra o planeta. Zayne tem uma visão Jedi que antecipa o ataque, e tenta evitar o pior.

Depois desse episódio, ficaria difícil superar esse clímax. Miller recorre a uma revelação sobre o velho Camper e seu passado com um cientista de altíssimo nível, traz os Jedi assassinos de volta à cena e termina o livro com uma evocação do sentido do maravilhoso que recupera uma das criaturas mais fabulosas trazidas para a saga, quando da exibição de O Império Contra-Ataca — e bem ao estilo da space opera. Nesse trecho, não apenas ficamos sabendo mais sobre Camper, mas a bela Jarael também ocupa o centro do interesse. Além disso, o escritor também soma ao conteúdo de intrigas e traições, uma crítica ao poder corporativo.

Miller é realmente um roteirista de quadrinhos muito habilidoso, divertido e que leva o leitor por caminhos inesperados dentro do universo de Star Wars. O final ambicioso deste livro 2 dos “Cavaleiros da Antiga República” prenuncia uma nova ameaça para a galáxia toda, e faz a gente querer ter logo nas mãos o próximo livro.

—Roberto Causo

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Comics Star Wars: Cavaleiros da Antiga República 2. Texto de John Jackson Miller, arte de Brian Ching, Harvey Tolibao e Dustin Weaver. Embu das Artes, SP: Planeta DeAgostini, 2014, 208 páginas.

Roberto Causo

Escritor de ficção científica e fantasia, autor dos romances "A Corrida do Rinoceronte" e "Glória Sombria", e das novelas premiadas "Terra Verde" e "O Par".

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