Chef: O completo oposto de junk-food

Se há gêneros cinematográficos que vieram para ficar, o food-film é com certeza um deles. Tal lógica se reforça ainda mais após assistir ao filme Chef, o mais recente do diretor, roteirista e ator Jon Favreau (Homem de Ferro 1 & 2, Swingers).

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No enredo, o chef de cozinha Carl Casper, incapaz de alterar o menu do estimado restaurante no qual trabalha, recebe duras críticas de um renomado avaliador, que acabam “viralizando” (espalham-se de maneira massiva pela internet). Enquanto isso, o chef também encontra dificuldades para dar atenção a seu jovem filho, que vive com a mãe divorciada.

Antes um queridinho do críticos, Carl agora perde o controle e devido a circunstâncias diversas, acaba por procurar uma fonte de renda e realização profissional no popular negócio dos food-trucks, permitindo que seu filho o dê assistência no trabalho. Encontra, porém, muito mais que dinheiro e elogios: o alívio emocional e a reaproximação ao filho e sua ex-esposa. Pode parecer clichê à beça, mas a dose de realismo que a história recebe em seus diálogos e na própria direção é o bastante para ignorar o lugar-comum.

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Como o melhor tipo de food-film, Chef não só apresenta alguns pratos interessantes e caríssimos como também pratos simples e baratos que, se feitos com a expertise necessária (e muito amor pela profissão), são tão deliciosos quanto os primeiros. Além disso, Favreau questiona a falta de lógica nas medidas do que seria de fato bom ou ruim, principalmente nos tempos atuais, nos quais as redes sociais imperam sobre as opiniões de cada um, quando palavras desmedidas podem trazer consigo resultados desastrosos.

Percebe-se claramente a relação que o diretor estabelece entre esta trama e o feedback negativo de seus dois filmes anteriores, Homem de Ferro 2 e Cowboys & Aliens. Mesmo que sob influência de uma estrutura maior (no filme, o dono do restaurante interpretado por Dustin Hoffman; na realidade, os grandes estúdios de Hollywood), Favreau inquestionavelmente colocou bastante esforço nos projetos, o que torna essa recepção negativa que se espalha nas redes infinitamente mais frustrante. Por outro lado, através das ações do filho, o filme mostra de maneira extremamente eficiente essas mesmas redes como ferramentas poderosas de marketing e também de compartilhamento de experiências diárias e emoções espontâneas (a cena com o aplicativo Vine é verdadeiramente comovente e impressiona ao mostrar Jon Favreau como um astuto realizador, conferindo um senso de realidade pouco visto em comédias no geral).

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Com atuações carismáticas de todo o elenco, que inclui uma rápida ponta do queridinho dos moços e moças Robert Downey Jr. (que já havia colaborado com Favreau encarnando ninguém menos que Tony Stark), além de toda a comida que deixará louco qualquer espectador de barriga vazia, Chef é um filme deliciosamente simpático, feel-good porém com o pé no chão, evitando ao máximo situações forçadas ao longo da inspiradora trama e fazendo questão de explicitar os momentos mais difíceis apenas para ressaltar também que, como diz o slogan de divulgação da obra, “o prazer está em todo lugar”. Principalmente em um sanduíche de queijo na chapa, preparado com amor.

Há, aliás, um easter egg de Homem de Ferro que não passará batido.

Caio Vechiato

Caio é estudante de Rádio e TV, cinéfilo, gamer e, apesar de ter chorado algumas lágrimas, continua muito chateado com o precoce fim de Penny Dreadful.

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