Cidades de Papel – O Filme

No fim de junho, o Who’s Geek foi convidado pela nossa parceira incrível, a Editora Intrínseca, para ir até o Rio de Janeiro e assistir ao filme Cidades de Papel (Paper Towns, EUA, 2015) no dia 30, e participar da coletiva de imprensa com John Green, o autor do livro de mesmo no qual o filme é baseado, no dia 1º de julho. Para saber mais sobre essa viagem que durou menos de dois dias, mas teve muita emoção e diversão, leia nosso post completo, com vídeo e tudo.

Confesso que, ao ler o livro Cidades de Papel poucos dias antes de assistir ao filme, não tinha gostado da história tanto assim. O personagem principal, Quentin me parecia um adolescente extremamente bobo, enquanto Margo era extremamente chata, e tudo no livro parecia muito extremo. Convenhamos, mais ou menos como a gente se sente quando é adolescente. Mas não houve uma identificação com os personagens, e certamente não conseguiu tirar o lugar de Quem é você, Alasca? como meu livro preferido do John Green. Assistir ao filme não mudou nada disso, mas certamente fez a história ganhar vários pontos importantes, e posso dizer que gostei ainda mais do que da adaptação de A Culpa é das Estrelas.

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A história gira em torno da estranha relação de Quentin com sua vizinha Margo. Quando eram crianças, tinham uma amizade muito boa, mas ao encontrarem um homem morto no parquinho, eles se afastam, principalmente porque Margo resolve fazer uma investigação e ele não quer se envolver nisso. Os anos passam e o garoto tem uma certa obsessão por ela, uma paixão adolescente que o faz reparar sempre na menina. Uma noite, nas últimas semanas de aula, Margo aparece no quarto de Quentin e o arrasta para uma aventura de carro, para se vingar de todas as pessoas que haviam compactuado com a traição de seu namorado, usando o vizinho como piloto de fuga.

No dia seguinte, ele espera encontrá-la na escola e que agora eles sejam amigos (e ele possa declarar seu amor por ela), mas ela nunca aparece. O que ele não havia notado é que a noite com Margo fora uma despedida, e agora ela havia fugido para algum lugar misterioso. Decidido a encontrar Margo, Quentin procura pistas deixadas pela menina, acreditando que ela as deixara para que ele fosse até onde estivesse escondida. E assim começa uma aventura que inclui invasão de propriedade privada, buscas frenéticas da internet, mapas, viagens entre estados e, claro, Cidades de Papel.

No filme, Quentin é interpretado pelo simpático Nat Wolf, que também participou de ACEDE. Como principal, ele teve a chance de mostrar que é um ótimo ator, que soube entrar no personagem e o melhor: soube melhorar um adolescente bobo e o transformou em um adolescente legal. Não no sentido de cool ou descolado, mas alguém que seria muito bom ter como amigo na escola.

Já a atriz e modelo Cara Delevingne, para mim, conseguiu encarnar uma Margo Roth Spiegelman perfeita, igualzinha a dos livros. Com cara de mau-humor, desprezo e superioridade, a atriz arrasa nas telas e cria uma personagem que você não sabe exatamente se gosta ou não. Na verdade, depende da Margo que ela mostra. Uma das questões da história gira em torno de como vemos as outras pessoas e de que como a ideia que criamos delas em nossa cabeça não corresponde, necessariamente, à realidade. Na verdade, raramente condiz com o que a pessoa é, como como ela pensa que é. Há uma infinidade de Margos e Cara consegue dar vida a todas elas.

PAPER TOWNS

Se tratando sobre os amigos de Quentin, Ben e Radar estão muito bons também. Aliás, a interação entre os três é muito fluida e verdadeira, não há nada de forçado, o que às vezes acontece ao trabalhar com atores jovens. Assim como Lacey, que entra para a turma deles com o sumiço de Margo, e a namorada de Radar, que ganha mais espaço no filme e mostra um casal extremamente fofo.

É preciso falar também da adaptação da história para os dias de hoje: a questão da internet e dos celulares foi muito bem utilizada, principalmente para agilizar a narrativa e trazer interações significativas. Parece que boa parte da lentidão que senti ao ler Cidades de Papel desapareceu magicamente ao assistir. Palmas merecidas para a equipe formada por Scott Neustadter e Jake Schreier, que ao lado do autor do livro conseguiram criar uma adaptação que supera o original em muitos sentidos.

O filme é menos sobre extremos e mais sobre a realidade. Enquanto no livro os pais de Quentin excessivamente analisam tudo e todos por serem psicólogos, no filme eles são mais reais. O mesmo para os amigos de Q, para o ex-namorado de Margo e para todos os outros personagens. Todos apresentam mais camadas de profundidade nas telas do que nas páginas do livro. O próprio John Green afirmou na coletiva de imprensa do Rio de Janeiro que prefere a adaptação. Os roteiristas tiveram a sensibilidade de trazer a história para o mundo real, com pessoas palpáveis e com adolescentes comuns, porém com suas particularidades que os tornam únicos. A exaltação dos laços criados pelos jovens em sua pequena aventura em busca de Margo é o ponto alto do filme. É mais uma história sobre a amizade, o amor entre amigos e sobre finais do que sobre um romance adolescente e cidades que não existem.

Gabriela Colicigno

Jornalista, ruiva, nerd, geek e louca por chocolate. Passa a maior parte do tempo do dia no computador, vendo seriados no Netflix, lendo um livro, ouvindo música ou brincando com os gatos.

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