Destino Especial: Algo Estranho e Lindo

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ht_midnight_special_film_still_mm_160401_16x9_992Jeff Nichols é um diretor norte-americano nascido em 1978, em Arkansas. Sua filmografia, que consiste em apenas cinco filmes, pode ser dividida em duas categorias: histórias do meio-oeste americano (Separados pelo Sangue de 2007, Amor Bandido de 2012 e Loving de 2016) e histórias de ficção sobrenatural com um cunho sutilmente religioso (O Abrigo, de 2011 e Destino Especial de 2016). Destino Especial (Midnight Special, EUA, 2016) se enquadra na segunda categoria.

Alton Mayer (Jaeden Lieberher) é um garoto de oito anos que foi sequestrado por seu pai, Roy (Michael Shannon), de um rancho formado por um culto religioso que acreditava que ele era um messias. Ao lado dele, de sua mãe (Kirsten Dunst) e de um amigo da família chamado Lucas (Joel Edgerton), ele deve ir a um local em uma data específica que ele mesmo descobriu.

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Atrás do garoto estão os homens do rancho, que buscam levá-lo de volta, o FBI, a NSA e a CIA que acreditam que a criança, de alguma forma, conseguiu informações confidenciais do governo norte-americano. A razão para eles pensarem isso? Bom, a verdade é que Alton tem super-poderes. Mas não como um X-Men, ou algo do tipo. Os olhos de Alton brilham intensamente e as pessoas tem visões quando olham para ele. O garoto também tem habilidades mais estranhas, como captar sinais de estação de rádio, criar campos magnéticos, derrubar satélites e outras coisas do tipo.

Parece baboseira, mas Nichols dirige escreve e dirige o filme de maneira tão minimalista que ele faz parecer crível o que é incrível. Ele também nos joga diretamente na ação: não há introduções ou contexto. O que ele nos mostra, é o que nos vemos. E, ainda bem, o que nós vemos é extraordinário.

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Cada grupo de personagens tem seu objetivo no decorrer do filme. O governo norte-americano acredita que a criança pode ser uma arma. O rancho acha que ele é um messias, e o pai, acredita somente que seu filho simplesmente não pertence ao lugar certo e precisa – a qualquer custo – levá-lo aonde ele deve estar. Falar qualquer coisa a mais é adentrar ao reino encantado dos spoileres, mas é seguro dizer que o diretor Jeff Nichols não entrega respostas fáceis no final e que o espectador deve tirar suas próprias conclusões.

Também é seguro dizer que Destino Especial tem significados mais profundos do que ele aparenta à princípio. No fundo, é um filme sobre amor, sobre o quão longe as pessoas vão pelas pessoas que elas amam, e o que elas estão dispostas a fazer por isso.

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Tendo assistido aos últimos três filmes de Nichols que foram lançados no cinema (Loving ainda irá estrear nos Estados Unidos neste ano), concluí que ele é uma das grandes vozes do cinema estadunidense. Um diretor jovem e autoral, com sua própria visão de mundo, nem otimista, nem pessimista. Seus filmes são milimetricamente e delicadamente filmados e seus roteiros sempre parecem saber para onde estão indo com uma confiança invejável.

Meu filme favorito dele ainda é O Abrigo (Take Shelter, 2011), obra que o catapultou para o cinema mainstream. No entanto, com Destino Especial, Jeff Nichols criou um filme que desafia a compreensão. Assisti-lo é se deparar com uma coisa nova. Perturbadora, emocionante e linda de se contemplar.

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