Divergente

divergente_capaSeguindo o que recentemente tem acontecido comigo quando se trata de distopias, vi o filme Divergente (Divergent, EUA, 2014) antes de ler o livro. Pois bem, após sair do cinema e ter gostado do filme, embora tenha achado ele um pouco fraco, resolvi ler a série toda, o que fiz em menos de uma semana. No entanto, não esperava ser surpreendida da maneira que fui. A história é mais complexa e menos boba do que pareceu no cinema, e a autora Veronica Roth certamente soube criar um mundo bem explicado e coerente.

Já não é novidade que as atuais distopias adolescentes (A SeleçãoJogos Vorazes etc) parecem seguir o mesmo padrão: uma sociedade dividida em algo semelhante a castas, ou grupos, cada uma com uma função no mundo e bastante fechadas. A diferença aqui é que os vários grupos sociais da história são mais flexíveis: ao completar 16 anos, você pode escolher permanecer onde está ou ir para outra facção. São elas: Abnegação, Erudição, Franqueza, Amizade e Audácia, cada uma com características bem específicas e que quase não se comunicam entre si. Fora os sem-facção, que são como a escória da humanidade para a sociedade organizada.

Cada facção tem um papel na sociedade em que eles vivem. Erudição cuida do conhecimento, a Franqueza é a facção que cuida das leis e da parte jurídica, sendo imparciais, já a Amizade é responsável pelas plantações e comidas, sempre dedicada ao amor e pacífica. O patrulhamento, a parte de ação, fica com a Audácia, que reúne pessoas corajosas. Por último, a Abnegação, responsável pelo governo, e a facção daqueles que abdicam tudo em prol dos outros, com moradias e roupas simples, sempre procurando servir a comunidade.

A história de Divergente segue a vida de Beatrice, filha de um dos líderes da Abnegação. Beatrice é uma garota que não consegue se encaixar na facção em que nasceu. A sua ideia é ir para a Audácia, onde as pessoas são destemidas e fortes, e onde ela acha que se encaixaria melhor. Suas crenças nas facções mudam quando, no teste pré-escolha, ela descobre que é, na verdade, uma divergente. Ou seja, ela não se encaixa em nenhuma facção. Mas isso é algo muito perigoso e ela deve manter segredo à todo custo. De qualquer forma, ela escolhe ir para a Audácia e se tornar Tris. Lá, ela conhece Quatro, um dos treinadores dos novatos, que se logo se encanta por ela. O treinamento na facção é mais difícil do que ela esperava e, ao longo de todo o tempo que fica dentro do quartel da Audácia, ela descobre um pouco mais sobre os divergentes e sobre os planos da Erudição de tomar o controle da cidade em que vivem.

Intrigas à parte, a narrativa é bastante fluída, fácil e simples, de forma que prende a atenção e quando você perceber, já terá chegado ao fim da primeira parte da trilogia. Certamente existem outras distopias mais bem elaboradas e talvez até com uma personagem um pouco menos boba, mas Tris consegue cativar. O problema talvez é que ela é um pouco ingênua, embora determinada e com uma personalidade bem forte. Dessa forma, Divergente é um livro bom, mas nada excepcional, que consegue trazer questionamentos, e que, de certa forma, se destaca das outras distopias por aí, seja por suas personagens, seja por uma trama mais elaborada. A trama, que no primeiro livro parece muito simples, na verdade é bem mais complexa, e os livros seguintes são até melhores, porque não ficam apenas fechados no quartel da Audácia.

Uma coisa que vale ser apontada, mesmo com todas as reclamações acerca das várias distopias que enchem as prateleiras das livrarias, é que a maioria delas tem como personagem central alguém do sexo feminino. Nem sempre elas são fortes, super-inteligentes e resolvem tudo sozinhas, mas certamente é algo muito legal e que deve ser ressaltado, porque mostra diversas faces de meninas adolescentes em busca de sua identidade, seja trocando de facção, seja tentando ser uma princesa ou simplesmente tentando salvar sua família.

Veronica Roth. Divergente (Divergent). Editora Rocco. Tradução de Lucas Peterson. 504 páginas.

Gabriela Colicigno

Jornalista, ruiva, nerd, geek e louca por chocolate. Passa a maior parte do tempo do dia no computador, vendo seriados no Netflix, lendo um livro, ouvindo música ou brincando com os gatos.

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