Doutor Estranho – Extravagante e levemente Excêntrico

A inventividade visual de Doutor Estranho (Doctor Strange, EUA, 2016) eleva esta nova extravagância da Marvel um nível acima dos demais filmes do estúdio. É um filme lindo, divertido, excêntrico e levemente… estranho de se assistir, mesmo que sua história siga os mesmos padrões do estúdio e sofra com certos excessos que o impedem de ser o melhor filme da história do estúdio Marvel.

O Doutor Stephen Strange (interpretado por Benedict Cumberbatch) é um talentoso neurocirurgião que perde os movimentos das mãos após um acidente com sua Lamborghini. Durante sua busca para voltar a ser quem era antes do acidente, caminhos tortuosos o levam até o extremo oriente, onde ele conhece o secreto mundo das artes místicas e realidades paralelas.

Treinado por uma enigmática e poderosa mulher chama de “A Anciã” (Tilda Swinton, maravilhosa e toda careca), Strange deve se tornar um intermediário entre o mundo físico e o que existe além dele. Para salvar a humanidade da destruição mística, ele precisa derrotar Kaecilius (interpretado pelo dinamarquês Mads Mikklersen, que fez a série Hannibal), um discípulo da “Anciã” e que se voltou contra a sua Ordem para despertar uma misteriosa criatura de uma dimensão paralela.

Doutor Estranho segue mais ou menos a mesma fórmula dos outros filmes da Marvel: um herói insolente deve se tornar mais humilde por meio de treinamento e sofrimento e, assim, enfrentar as forças do mal. O longa-metragem contém os mesmos elementos característicos do estúdio: grandiloquentes sequências de ação, humor e elementos visuais que saltam nos olhos do espectador, somados a um ótimo elenco.

E é justamente o elenco que se destaca no filme. Cumberbatch está formidável no papel principal que ele interpreta de forma arrogante, divertida e frágil, enquanto Tilda Swinton mostra a todos como se faz e sem esforço. Rachel McAdams que interpreta Christine Palmer, colega de equipe de Stephen Strange no hospital e possível interesse romântico do protagonista, se destaca entre as atrizes que interpretaram namoradas do herói (como Natalie Portman e Gwyneth Paldrow): ela tem uma graça e uma expressividade que também vêm se esforço.

Dizer que Doutor Estranho é um filme altamente visual seria um eufemismo, mas é verdade: o diretor Scott Derickson “pensa” o longa metragem como uma obra visual e isso se transmite em sequências absolutamente espetaculares e que diferem de tudo o que a Marvel já fez até hoje; como quando Strange e seu colega, Mordo (Chiwetel Ejiofor), enfrentam Kaecilius e sua gangue em uma Nova York que “dobra” sobre si mesma de tal modo que Christopher Nolan deve ter ficado com inveja.

É uma pena, portanto, que o roteiro não desacelere o suficiente para aproveitar esses momentos. Doutor Estranho é um longa compacto ao ponto de ser acelerado demais, mas feito com um elenco espetacular e que sabe bem em qual momento deve ser levado à sério e quando deixar a diversão entrar.

Roberto Fideli

Jornalista e mestrando da Faculdade Cásper Líbero. Fanático por cinema, desenhos japoneses, fantasia e ficção científica. Seu sonho é ser piloto de naves espaciais, mas não tem coordenação motora para isso.

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