Entre matemática e namoros

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Colin está devastado. Sua décima nona namorada de nome Katherine terminou com ele, sem mais nem menos. Depressivo e sem saber que rumo tomar durante as férias antes da faculdade, ele se deixa ser arrastado pelo melhor amigo para uma aventura. Eles vão parar em Gutshot, a cidade em que o Arquiduque Francisco Ferdinando está enterrado, e conhecem uma simpática menina do interior, que lhes oferece emprego. Enquanto trabalham na cidadezinha, Colin tenta montar um teorema matemático para explicar suas relações amorosas.

Em Teorema Katherine, o personagem principal é um prodígio. Quer dizer que ele tem mais facilidade para aprender coisas do que outras pessoas, mas não é necessariamente um gênio. E isso o deixa frustrado, pois já está com 17 anos e não fez nada de significativo com sua inteligência. O Teorema Fundamental da Previsibilidade das Katherines, como ele apelida as centenas de cálculos que precisa fazer, seria sua forma de contribuir com algo de bom para o mundo. Antes do Teorema, tudo o que ele podia fazer é falar um monte de línguas e criar anagramas. Relacionar-se com as outras pessoas estava fora de questão.

Colin passou tanto tempo se preparando para ser um gênio que esqueceu de viver. Ele não sabia manter uma conversa “normal” e nunca foi de sair de casa, já que tinha suas “metas” a cumprir diariamente nos estudos. Hassan é a única pessoa que tem paciência com ele (porque nem as doze Katherines que ele namorou na vida tiveram), e o personagem mais espirituoso de toda a trama, sempre fazendo piadas e dando cortes nas falas sem fim de Colin. Aliás, Colin é alguém bem chato, insuportavelmente nerd e sabe-tudo, mas ao mesmo tempo vazio. Tudo na sua existência se resume a todas as Katherines com quem se relacionou. Ao longo da história, percebemos que ele nem sequer chegou a namorar com algumas delas.

Por mais que seja John Green, o livro não é surpreendente. Aliás, ele é bastante previsível. Colin conhece essa menina, Lindsey, que namora um outro Colin. A mãe dela é muito rica e oferece casa, comida e emprego para eles durante o verão. As pessoas não costumam contratar desconhecidos que estão viajando para trabalhar e ainda dão um quarto na mansão da família para cada um deles. E nem pagam uma quantia considerável de dinheiro para eles fazerem entrevistas com os moradores da região. É claro que ele se apaixona por Lindsey, mesmo que isso contrarie toda a sua tradição de namorar só Katherine.

A ideia do livro era surpreendente: uma pessoa que se apaixona pro doze meninas com o mesmo nome e que ainda resolve relacionar tudo com matemática! A parte das contas está toda no anexo do livro, com cálculos e mais cálculos, números e números, para entender todas as conclusões de Colin. Mas a narrativa confusa, com presente e passado intercalados cansa. Quase não dá vontade de terminar o livro e saber se, finalmente, ele vai superar essa obsessão por Katherines e perceber que o problema de todos os relacionamentos era ele mesmo.

O livro é cheio de reflexões sobre a vida, o amor e os romances, além de frases de efeito. E isso é a única coisa que salva a fraca história. Depois de A Culpa é das Estrelas, do mesmo autor, esperava algo mais profundo, menos passa-tempo. Porque O Teorema Katherine é só isso, um livro para ler quando não tiver mais nada para fazer e quiser passar algumas horas dando um pouco de risada.

John Green. O Teorema Katherine (An Abundance of Katherines). Editora Intrínseca. Tradução de Renata Pettengrill. 304 páginas.

Gabriela Colicigno

Jornalista, ruiva, nerd, geek e louca por chocolate. Passa a maior parte do tempo do dia no computador, vendo seriados no Netflix, lendo um livro, ouvindo música ou brincando com os gatos.

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