Esquadrão Suicida: Algo errado não está certo

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Há algo de fundamentalmente problemático nos novos filmes da DC Comics, em comparação com os recentes filmes da Marvel: eles não prestam. É bom lembrar que a construção do universo cinemático da DC é composta por apenas três filmes: o caótico O Homem de Aço (2013), o abismal Batman Vs Superman (2016), cuja resenha completa você confere aqui, e o grotesco Esquadrão Suicida (Suicide Squad, EUA, 2016). Portanto, enquanto simultaneamente é difícil de opinar com relação ao conjunto da obra, é possível perceber que as coisas não estão indo bem.

Essa talvez não seja a melhor hora para entrar em pânico, porém, com Zack Snyder cotado para dirigir os filmes da Liga da Justiça nos próximos anos, há pouco motivo para ter esperança. O novo filme do estúdio, Esquadrão Suicida, foi um duro golpe para aqueles que esperavam uma subversão das histórias de super heróis, ou para qualquer espectador que imaginava um pingo de coerência narrativa ou inteligência.

Depois dos eventos de Batman Vs Superman, a oficial de inteligência norte-americana, Amanda Waller (Viola Davis) decide montar, com a ajuda do governo, uma equipe formada pelos maiores supervilões, que nos defenderão de ameaças terroristas e alienígenas. Entre eles encontram-se O Pistoleiro (Will Smith), Arlequina (Margot Robbie), El Diablo (Jay Hernandes), Capitão Bumerangue (Jay Courtney), MAGIA (Cara Delevigne), Crocodilo (Adewale Akinnuoye-Agbaje), e a espadachim Katana (Karen Fukuhara). Eles são liderados por Rick Flag (Joel Kinnaman), que nada mais é que um lacaio de Amanda Waller. Também aparecem o Coringa (desta vez interpretado por Jared Leto) e o Batman (agora encarnado por Ben Affleck).

Esquadrão Suicida é um bom veículo para introduzir personagens menos conhecidos do público em geral de quadrinhos e filmes, mas não demora muito para se perceber que algo errado está terrivelmente errado, e que o coringa de Jared Leto é o pior da história do cinema.

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Criticado por ter sido excessivamente sombrio, pessimista e sem humor, Batman vs Superman desagradou fãs e críticos em igual medida, com razão. Não obstante, ele ainda possui cenas interessantes e um genuíno senso de tentativa fracassada. O maior problema em Esquadrão Suicida é que ele não parece sequer ter tentado. Tudo nele parece artificial e negativamente estiloso. A estética de videoclipe (cortes rápidos e cores vibrantes com proeminência de rosa choque e verde limão) cumpre seu papel em termos: cria uma identidade visual para o filme, mas não é capaz de salvá-lo de uma trama caótica e incoerente, e uma direção insegura por parte de David Ayer, que também assinou o roteiro.

Nada em Esquadrão Suicida é devidamente explorado. O que ocorre é uma conjunção de elementos dissonantes que são mesclados sem uma liga que os sustente. A começar pelo humor descabido, cortesia, em sua maior parte, por Will Smith em sua tentativa também fracassada de protagonismo. Há também os interesses românticos entre June Moone, que é possuída por MAGIA, e Rick Flag; e o extremamente problemático namoro entre o Coringa e Arlequina. Os demais personagens, principalmente El Diablo, também carecem de aprofundamento, e suas dinâmicas internas parecem forçadas.

Para não dizer que tudo é ruim no filme, vale destacar as atuações sólidas de Jay Hernandes, Viola Davis (sempre no tom certo) e Karen Fukuhara (uma das mais agradáveis surpresas do filme). Mas há pouco eles podem fazer por um filme tão preguiçosamente escrito, dirigido, editado e concebido. Se há um argumento sobre as políticas dos Estados Unidos de empregar mercenários para lutar suas lutas, esse argumento se perdeu em algum lugar no meio das duas horas de Esquadrão Suicida. A alma do filme também não foi encontrada.

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