Fábrica de Vespas – Só tem gente louca

capa_fabrica_de_vespasIain Banks foi um escritor escocês nascido em 1954 e falecido em 2013. Durante sua carreira, ele se tornou mais conhecido como autor de ficção científica: meu pai tem vários livros dele em inglês lá em casa, mas nenhum trabalho dele foi publicado no Brasil em português. A Fábrica de Vespas foi seu primeiro romance, publicado em 1984.

O livro conta a história de um Frank, um típico adolescente em crise, exceto por um detalhe: Frank é um psicopata assassino e, quando criança, ele matou três pessoas. Frank não é uma criança normal. Alguns anos depois dos assassinatos, ele diz que nunca mais matou ninguém e nem pretende: ele apenas estava passando por uma fase.

Ele gosta, no entanto, de tortura e matar animaizinhos na ilha escocesa onde ele vive. Ele gosta de prender vespas nos ponteiros do seu despertador, pra quando ele ligue, Frank possa ficar assistindo enquanto as vespas são chacoalhadas de um lado para o outro até a morte. Este não é um livro para qualquer um.

Frank tem um irmão, Eric e um pai que são igualmente insanos. Seu irmão fugiu de um manicômio e grande parte da trama do livro gira em torno do fato de que ele está voltando para casa, e pretende levantar um inferno. Seu pai, tem o hábito estranho de medir todos os objetos da casa. Ele também tem um escritório, sempre trancado, que esconde um segredo terrível. Ou seja, ninguém é normal.

O livro é um verdadeiro tapa na cara do leitor, a começar pela narrativa; A Fábrica de Vespas é um livro perturbador e brutal em muitos sentidos. Recentemente eu assisti a um vídeo da Raquel, do Pipoca Musical, que definiu este livro como um tapa na cara. Achei uma boa definição, especialmente para o começo do romance, mas as coisas pioram conforme a narrativa avança. A Fábrica de Vespas é um livro perturbador e brutal em muitos sentidos: a começar pela narrativa.

O livro é narrado em primeira pessoa, por Frank, o protagonista, o que coloca o leitor na mente de um psicopata. Não é uma experiência agradável. A maneira como ele descreve seus atos de violência é absolutamente mundana e desapaixonada: para ele, aquilo é absolutamente normal. Na introdução deste livro, feita pelo próprio autor, Iain Banks explica como isso é besteira: crianças nutrem tantos pensamentos violentos quanto os adultos. Ele afirma que elas só não têm um quadro moral sofisticado onde colocá-los. Não que, é bom lembrar, todos os adultos o tenham.

A Fábrica de Vespas foi lançada pela editora Darkside, este ano, com tradução de Leandro Durazzo. É um livro que nos lembra do poder que o bom terror tem de realmente perturbar você, não de te dar sustos baratos. Isso sim é bom terror.

Iain Banks. A Fábrica de Vespas (Wasp Factory). Tradução de Leandro Durazzo. Editora DarkSide Books, 2016.

O livro foi enviado como cortesia por conta da parceria entre o Who’s Geek e a DarkSide Books. Encontre a DarkSide nas redes sociais: Twitter / Facebook / Instagram / YouTube / G+

Roberto Fideli

Jornalista e mestrando da Faculdade Cásper Líbero. Fanático por cinema, desenhos japoneses, fantasia e ficção científica. Seu sonho é ser piloto de naves espaciais, mas não tem coordenação motora para isso.

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