Fahrenheit 451 | Clássicos da Ficção Científica #1

fahrenheit451_capa Fahrenheit 451 de Ray Bradbury deve ser muito possivelmente, um dos clássicos mais importantes da Ficção Científica. Portanto, faz sentido que este novo segmento do Who’s Geek Clássicos da Ficção Científica, comece justamente por ele.

Bradbury foi um renomado escritor norte-americano nascido em Illinois em 1920 e falecido em 2012. Além de novelista e contista, ele também produziu muitos roteiros e adaptações, incluindo Moby Dick e episódios de séries de televisão. Entre seus trabalhos mais notáveis – além de Fahrenheit estão As Crônicas Marcianas de 1950 e Uma Sombra Passou por Aqui de 1951. Até hoje, ele é considerado um dos mais importantes escritores de FC de todos os tempos. Mais um motivo para começar este novo segmento com este autor. Recentemente o livro foi republicado pela editora Biblioteca Azul, um selo editoral da Globo Livros, então (diferente do que falei no vídeo) não vai ser difícil entrar para vender. Inclusive o link para a Amazon redireciona para a compra e ainda ajuda o canal.

Fahrenheit 451 é uma distopia que se passa nos Estados Unidos em um futuro distante, no qual bombeiros são instruídos a queimar quaisquer livros que eles encontrem, visto que a leitura é absolutamente ilegal neste futuro. Guy Montag, o protagonista desta história, é um bombeiro que fica perturbado após um chamado numa casa de uma senhora, que se recusou a deixar sua biblioteca em chamas e morreu junto de seus livros. Em um ato de loucura e curiosidade, ele viu a frase de um livro quando este caiu sobre ele, e ficou obcecado, roubando livros e tornando-se um procurado pela polícia.

Não devemos ficar em paz. É preciso que de vez em quando a gente seja realmente incomodado.

O livro foi escrito no princípio da Guerra Fria e no começo do McCartismo, um momento conturbado na história americana providenciado pelo recém-eleito senador McCarthy que começou uma verdadeira caça às bruxas contra comunistas subversivos que estariam “infiltrados” na sociedade americana. Entre prisões, extradições e outras coisas, estava a censura de material que poderia ser considerado “subversivo”. Bradbury escreveu Fahrenheit 451 com o temor da queima dos livros que estava acontecendo nos EUA, ampliado sob a forma de uma distopia futurista.

Um livro é uma arma carregada na casa ao lado. Queime-o. Tire o projétil da arma. Rache o espírito do homem.

Fahrenheit 451 é considerado uma obra ousada e fascinante por seu retrato da sociedade do futuro, hedonista, centrada na auto-imagem e na auto-preservação e tecnologicamente interconectada, porém repleta de indivíduos solitários que se assemelha em muitos aspectos com sociedade que temos hoje. Bradbury argumenta durante a narrativa que os livros não são mais permitidos não em decorrência de intervenções do Estado, mas sim pelo desejo de simplificação da sociedade na qual a história se passa.

Um dia hei de agarrar-me ao mundo com força. Neste momento tenho um dedo nele. Já é um começo.

Mas, mais do que dar um retrato sofisticado de uma sociedade muito parecida com uma sociedade que só viria a existir 60 anos depois, é um livro que serve como uma carta de amor aos livros em geral, àqueles que o escrevem e ao prazer da leitura. É uma obra incisiva, porém poética: há muita beleza nela.

Fahrenheit 451 foi adaptado para o cinema em 1966 por François Truffaut, estrelado por Oskar Werner e Julie Christie. O filme é bastante fiel à obra original, e uma boa opção para quem quer conhecer o romance no futuro. Uma edição recente do livro ainda não foi lançada, mas a obra é facilmente encontrada em sebos e sites da internet.

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Roberto Fideli

Jornalista e mestrando da Faculdade Cásper Líbero. Fanático por cinema, desenhos japoneses, fantasia e ficção científica. Seu sonho é ser piloto de naves espaciais, mas não tem coordenação motora para isso.

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