Gone Home: Menos violência e mais emoção

O que é um game de sucesso atualmente? Titanfall, Bioshock Infinite, The Last of Us… Todos esses títulos têm em comum o uso de armas e de violência em seus enredos. Não sou de reclamar disso, adoro um shooter, principalmente se ele tem uma história boa ou um multiplayer divertido para jogar com os amigos. Mas chega uma hora que você quer jogar algo diferente, que te prenda ao enredo, que dispense combates… Está bem, mas o quê?

Gone_Home2

Dei de cara com Gone Home na promoção de férias de julho do Steam (uma plataforma de distribuição de jogos digitais, caso você não conheça). O preço estava convidativo, já tinha ouvido falar bem do jogo, comprei-o.

Comecei a jogar em uma tarde após o almoço. Depois dos devidos ajustes de gráficos (já que não tenho o melhor PC do mundo), dei o play e me encontrei na pele de Kaitlin Greenbriar, uma mochileira que acaba de voltar para casa de sua viagem pela Europa, em uma noite chuvosa. Na varanda, você começa a experimentar o estilo do jogo. Após ler a carta de sua irmã Sam, que está pregada na porta, você deve vasculhar o local para achar a chave da entrada. Muitos itens podem ser manuseados, permitindo que você tenha liberdade de observar cada detalhe dos itens.

Gone_Home3

Ao entrar na enorme casa, há um sentimento de opressão no ar, daqueles que só uma casa velha e grande pode proporcionar (vide o Resident Evil original). O lugar está vazio, e você começa a sua aventura de explorar a mansão em busca de pistas do paradeiro de seus pais e sua irmã. Prestando atenção nos detalhes, você descobre que a data é 6 de junho de 1995. Sendo assim, inúmeras referências ao estilo e a cultura da década de 1990 estão lá para serem encontradas, desde Pulp Fiction até Nirvana, passando por Arquivo X e Street Fighter II. Há ainda algumas fitas, que podem ser ouvidas. Quem viveu a década, ou quem a reverencia e conhece um pouco, vai curtir bastante essas homenagens.

Gone_Home4

Confesso que fiquei com um pé atrás de início. Por mais que soubesse que não há nenhum inimigo no local que fiquei apreensivo. A casa é mal iluminada, está lampejando e trovoando e alguns documentos sugerem que o lugar é mal-assombrado. Levei alguns sustos, confesso que teve salas que fiquei com medo de entrar, mas NÃO EXISTEM INIMIGOS Ao menos foi isso que ficava tentando me convencer para dar o próximo passo.

Gone_Home5

Não vou contar mais nada. Posso estragar alguma surpresa ou até mesmo o final completamente inesperado e nem um pouco emotivo (não foram lágrimas; caiu um cisco no meu olho). Ele não é um jogo longo, terminei-o em apenas três ou quatro horas, mas posso afirmar: foi uma das experiências mais marcantes que já tive com um game. Não é como nada que já joguei, e olha que já joguei MUITO.

Se você busca um game diferente de muitos que você já viu e quer gastar seus neurônios com as pistas, vá em frente, você não se arrependerá. Se você acha que pode viver de shooters apenas, teste Gone Home. Ele pode surpreender você.

Paulo Ferreira

Repórter da Revista Xbox, é leitor inveterado e viciado em James Bond, Half-Life e peças de Lego. Curte Queen, mas não nega que já cantou Ilariê no karaokê. Crítico de games por vocação, não fica satisfeito se não jogar ao menos 35 horas por dia(!).

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *