Guardiões da Galáxia: Heróis Fora de Órbita

Quem diria que Guardiões de Galáxia (Guardians of the Galaxy, EUA, 2014), a mais extravagante, cafona, absurda, ridícula e fora de propósito produção da Marvel até hoje, poderia ser, na verdade, a melhor produção da Marvel até hoje. Mas, acredite. A Alemanha fez 7 a 1 na seleção brasileira, Oscar Niemeyer não era imortal e sim, Guardiões da Galáxia, desafiando toda a lógica, é o melhor filme da história da Marvel.

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Isso acontece, provavelmente, por que os produtores do filme, e o diretor James Gunn, reconhecem as falhas e as limitações do material e, principalmente, entendem o que ele significa: absolutamente nada. Pelo menos à princípio. Pois, apesar de Guardiões da Galáxia não se levar nem um pouco a sério – sua maior virtude – ele encapsula e mascara uma história curiosamente envolvente sobre destino pessoal, vingança, redenção, amizade e aceitação social.

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Não que Peter Jason Quill (Chris Pratt) se incomode muito com aceitação ou falta de aceitação social. Depois que ele foi abduzido da Terra por um grupo de mercenários intergalácticos, no dia em que sua mãe morreu, ele passou o restante de sua juventude passeando pelo espaço como caçador de recompensas. Uma sequência infeliz de acontecimentos, que começam com a descoberta de um pequeno e misterioso artefato em um planeta abandonado, coloca Peter Quill no caminho de Gamora (Zoe Zaldana) uma assassina treinada, do caçador de recompensas Rocket (um guaxinim zangado dublado por Bradley Cooper) e sua árvore de estimação, Groot (este dublado por Vin Diesel) que certamente é um indivíduo que não sofre de crise de identidade.

Conhecendo a história desses personagens, não é de se surpreender que eles vão pra cadeia. E lá, descobrem o último companheiro de viagem, Drax (Dave Bautista) um sujeito enorme e muito forte que busca vingar a morte de sua família sob as mãos de Ronan, o Acusador (Lee Pace). Ronan e sua colega Nebula (Karen Gillen, careca e azul pra quem é fã de Doctor Who como a dona do blog), por sua vez, estão atrás desse artefato o que os coloca em rota direta com Peter Quill e os seus colegas.

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Muita ação e efeitos especiais são elementos esperados em qualquer filme da Marvel. Neste, elas atingem níveis ainda mais absurdos, cafonas e fora de propósito do que em qualquer outra produção do estúdio. A maquiagem também beira o ridículo. Mas isso tudo faz parte de um universo com suas próprias leis, mecanismos, idiossincrasias e estéticas próprias que harmoniosamente convivem umas com as outras.

Harmonia é o que tem de sobra em Guardiões da Galáxia, não somente no universo criado pelos cineastas, mas pela relação entre os personagens. Um dos aspectos que dá o filme seu ímpeto e carisma é a química entre os heróis. James Gunn exercita suas habilidades como diretor de atores e consegue arrancar boas atuações do bobão Chris Pratt e da antipática Zoe Zaldana, que está muito melhor do que em Avatar e como Uhura de Star Trek. Bradley Cooper rouba a cena como o pugnaz e nanico guaxinim Rocket, e Vin Diesel retorna às dublagens depois de O Gigante de Ferro como Root, que, certamente roubará o coração dos espectadores.

Lee Pace, o pai de Légolas em O Hobbit e Karen Gillen, a mulher com as maiores pernas da galáxia estão irreconhecíveis debaixo de tanta maquiagem, mas também tem seus momentos de brilho ainda que as motivações de seus personagens sejam pouco exploradas no decorrer do filme.

O que esperar, portanto de Guardiões de Galáxia? Algo bom? Algo ruim? Eu diria um pouco dos dois. Também diria que é uma das agradáveis surpresas de um ano que teve ótimos filmes de ficção-científica até agora (X-Men, Capitão América, Planeta dos Macacos e No Limite do Amanhã, por exemplo). Subvertendo os clichês dos quadrinhos e do gênero space opera, ele é garantia de entretenimento para todas as idades. Minha única sugestão? Renda-se.

Roberto Fideli

Jornalista e mestrando da Faculdade Cásper Líbero. Fanático por cinema, desenhos japoneses, fantasia e ficção científica. Seu sonho é ser piloto de naves espaciais, mas não tem coordenação motora para isso.

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