Star Wars: Herdeiro do Jedi – Sobre treinos e paixões

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herdeiro_do_jedi_capaEm Star Wars: Herdeiro do Jedi, de Kevin Hearne, vamos descobrir como Luke se tornou tão versado na Força no episódio V: O Império Contra-Ataca. Ele termina o episódio IV mal sabendo desviar da bolinha de treino e volta no filme seguinte movendo as coisas com a mente. Como ele ficou tão forte? Foi essa pergunta que o autor se fez no cinema quando criança, e é isso que ele se propõe a explicar em seu primeiro livro do Universo Expandido.

O livro é contado em primeira pessoa, sob o ponto de vista do Luke, algo nunca feito antes no universo canônico de Star Wars. De um jovem reclamão de Tatooine, Luke se torna um herói de guerra após destruir a Estrela da Morte, e agora continua fazendo missões para a Aliança e tentando melhorar a vida na Galáxia. O Império está se reorganizando, e os Rebeldes correm perigo e precisam de armas.

É aí que começa a história: Luke precisa fazer contato com uma empresa de inovação que pode lhes oferecer armas, mesmo que a Aliança ainda não tenha dinheiro para isso. De missão em missão, ele acaba em um resgate de uma criptógrafa capturada pelo Império, e precisa usar tudo o que puder para resgatá-la. Ao seu lado, Luke tem Nakari Kelen, uma jovem rebelde, filha de um milionário.

A história é dividida em várias aventuras e missões dos personagens, até culminar na missão principal de resgate, e é interessante observar a interação de Luke com outras pessoas, como Leia ou o Almirante Alckbar, mas principalmente com a própria Nakari. Ela é filha de um magnata da bioengenharia, muito inteligente e com recursos financeiros que são escassos à Aliança, e se interessa pelo herói da resistência, desajeitado e tímido. A relação entre eles ao longo da história é muito legal e bem construída, porque eles se tornam confidentes e amigos, mesmo que haja um interesse romântico por trás.

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O ritmo pode parecer chato para quem espera uma grande aventura, já que são várias missões de guerra curtas, cada uma com um propósito específico, que culminam na tal missão principal. Mas tudo o que acontece tem o propósito de mostrar os contatos de Luke com a Força, como ele lida com esse poder e como ele tenta aprimorar o pouco que aprendeu com Obi-Wan Kenobi antes de sua morte.

Aliás, nesse livro está presente algo que sempre repito quando falo do Universo Expandido: ele está muito à frente do universo cinematográfico em questão de representatividade. Se tivemos diversas mulheres incríveis em Marcas da Guerra, Herdeiro do Jedi nos traz Nakari, que é negra, com cabelos extremamente cacheados e muito, mas muito inteligente. A ilustração da capa, que aliás é maravilhosa, traz Nakari e Luke, comR2D2 ao fundo, com os cabelos dela esvoaçando e, bom, achei algo bem legal. Sem falar na própria criptógrafa que é simplesmente a melhor que há nas galáxias. E é mulher, mãe e esposa, e arrisca tudo o que tem para se unir à família.

No mais, é uma história interessante, divertida e descontraída, embora com passagens mais pesadas e reflexivas, inclusive sobre a estrutura Jedi do passado, o fato de que eles não devem casar ou ter filhos, e Luke ser exatamente isso: filho de um Jedi. É interessante acompanhar o personagem, que nos filmes é talvez um pouco raso, em suas inquietações sobre seu passado, sua família e, claro, seu futuro como esperança para a Força. Hearne cumpre o que promete ao trazer um pouco mais sobre as descobertas do jovem Skywalker antes de seu confronto com Darth Vader, e isso por si só já é um feito e tanto.

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Kevin Hearne. Herdeiro do Jedi (Heir to the Jedi). Tradução de Alexandre Mandarino. Editora Aleph, São Paulo, 2016. 314 páginas. ISBN 978-85-7657-297-8

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