O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos

O fato, nu e crú é que O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos (The Hobbit: The Battle of the Five ArmiesEUA/ING/NZL, 2014), é o melhor filme da trilogia Hobbit até agora. O problema, é que nós tivemos que aguentar cinco horas e cacetada para chegar até ele. Podia ser pior, sim, mas isso não compensa.

Depois de aguentar duas horas e quarenta minutos de pura encheção de saco em A Desolação de Smaug (2013), Peter Jackson conjurou algo um pouco mais próximo da grandiosidade de O Senhor dos Anéis, que ele dirigiu um ano antes. Eu disse um pouco, pois as duas trilogias mal parecem ter sido dirigidas pelo mesmo cineasta.

THE HOBBIT: THE DESOLATION OF SMAUG

O filme segue imediatamente após o anterior. Smaug, muito zangado com um bando de anões (e um Hobbit) invadindo a sua residência, ataca ferozmente a cidade do Lago. No entanto, o corajoso Bard está lá para matar o dragão (spoiler) e livrar a Terra Média da destruição. É uma sequência espetacular de computação gráfica, pouco antes das múltiplas narrativas começarem a aparecer em cena.

Uma vez livres da aterrorizante presença de Smaug (matar Bennedict Cumberbatch nos primeiros quinze minutos de filme talvez não tenha sido a menor das ideias – spoiler), Bilbo (Martin Freeman) e sua companhia de anões se vêem diante de um tesouro inimaginável e de uma montanha com posição estratégica. É só uma questão de tempo até que os diferentes povos comecem a perceber a importância do local, e a se deslocar na direção dele.

THE HOBBIT: THE BATTLE OF THE FIVE ARMIES

O povo da Cidade do Lago, imediatamente se dirige à cidade às portas de Erebor, a cidade dos anões. Os Elfos, liderados pelo Thranduil (o maravilhoso Lee Pace) também estão interessados na posição estratégica da montanha. É nessa primeira hora de filme que O Hobbit se sai melhor, construindo uma quantidade razoavelmente alta de tensão: para melhorar tudo, os Orcs estão à caminho e Thorin (Richard Armitage) enlouqueceu total. 

Depois disso, o filme entra de cabeça nas incontáveis sequências de batalhas e começa o teste da minha paciência. Tudo bem que foi só uma hora de filme, mas pareceu uma eternidade. Todos os defeitos de Jackson ficaram expostos para o espectador: as exageradas e excessivamente longas sequências de ação, marcadas pelo uso desenfreado da computação gráfica e finais abruptos. A trilha sonora de Howard Shore não ajuda.

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No entanto, algumas das melhores características do diretor ficam mais evidentes neste filme do que nos dois primeiros: sua habilidade para compor cenas e também sua capacidade de criar personagens com os quais nós importamos. O romance de Kili e Tauriel pode ser absurdo, mas os dois atores têm muita química juntos. E o pai de Legolas consegue roubar virtualmente todas as cenas em que aparece.

O maior problema da franquia Hobbit é que ela não possui a magia inerente de O Senhor dos Anéis. A primeira trilogia parecia ter sido feita de fogo e pedra. A segunda, de isopor e plástico. A primeira, entrou para a história. A segunda, não. O livro de Tolkien era compacto e direto, e não precisava ser estendido em três filmes de quase três horas cada. Isto é só um caça-niqueis. Então, o mínimo que Peter Jackson podia ter feito era guardar o melhor para o final.

Roberto Fideli

Jornalista e mestrando da Faculdade Cásper Líbero. Fanático por cinema, desenhos japoneses, fantasia e ficção científica. Seu sonho é ser piloto de naves espaciais, mas não tem coordenação motora para isso.

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