Homem Formiga: Pequenos Prazeres

Homem Formiga 1Já faz alguns anos que o diretor inglês Edgar Wright – conhecido por suas comédias com o ator Simon Pegg como Todo Mundo Quase Morto, Chumbo Grosso, O Fim do Mundo e a adaptação dos quadrinhos Scott Pilgrim Contra o Mundo – trabalhava no roteiro e na direção de Homem Formiga (Ant-Man, EUA, 2015) para o universo cinemático da Marvel. Apesar de relativo sucesso, é de se imaginar como o filme teria sido caso Wright tivesse capitaneado a produção.

Não que Homem Formiga seja propriamente ruim, muito pelo contrário. Ele é leve, bem humorado e consideravelmente divertido. Porém é simples, superficial e genérico ao ponto de não contribuir significativamente com o universo Marvel. E, depois da surpreendente produção de Capitão América: Soldado Invernal Guardiões da Galáxiaambos de 2014, Homem Formiga parece um passo na direção contrária.

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Hank Pym (Michael Douglas) é um cientista responsável por inventar a Partícula Pym, capaz de diminuir a distância entre os átomos e, consequentemente, encolher objetos e possivelmente até indivíduos. No entanto, ao perceber os perigos dessa descoberta, ele esconde seu projeto das mãos de grandes corporações e até da S.H.I.E.L.D., com medo de que ela fosse usada com intenções belicistas. Mas, quando seu protegido Darren Cross (Corey Stoll) se aproxima da mesma descoberta, ele contrata os serviços de um ladrão semi-aposentado chamado Scott Lang (Paul Rudd) para roubar os projetos de Cross.

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A narrativa tem a estrutura de um filme de assalto a banco, mas é condensada em 117 minutos o que impede grandes desenrolares, principalmente no que diz respeito ao desenvolvimento de personagens e drama humano. Scott Lang busca recuperar a confiança de sua filha pequena e ainda fazer parte dela, enquanto Hope (Evangeline Lilly) procura reatar o relacionamento com seu pai, Hank Pym, depois do falecimento de sua mãe. Mas suas atuações são relativamente genéricas e o diretor Peyton Reed faz pouco para explorar o potencial de seu talentoso elenco, privando-os, na maior parte do tempo, da possibilidade de nuances e profundidade.

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Reed também copia vários traços estilísticos do diretor Edgar Wright, como o movimento de câmeras, diálogos e o uso de voice-over em sequências que são genuinamente hilárias, mas que não possuem a mesma habilidade de Wright. O destaque positiva fica por conta da atuação do veterano Michael Douglas no papel do Dr. Pym. Aos 71 anos e sofrendo com as limitações do texto que lhe foi dado, ele ainda tem um desempenho invejável com nuances e profundidades inesperadas, dando uma aula de modulação de projeção de voz.

No geral não há muito o que dizer sobre Homem Formiga exceto que ele é muito divertido, porém raso. E que Peyton Reed se esforça para copiar Edgar Wright, mas não é tão habilidoso quanto o colega de produção. E de que seu filme ainda está muito distante de Capitão América: O Soldado Invernal,  ainda o melhor filme deste universo Marvel.

Roberto Fideli

Jornalista e mestrando da Faculdade Cásper Líbero. Fanático por cinema, desenhos japoneses, fantasia e ficção científica. Seu sonho é ser piloto de naves espaciais, mas não tem coordenação motora para isso.

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