It, a Coisa: A Conquista do Mal

Em It: a Coisa (It, EUA, 2017), uma estranha criatura aterroriza a cidade de Derry, no Maine, raptando e matando seus moradores, principalmente crianças. Uma criatura que se auto-intitula “Pennywise, o Palhaço Dançarino”, mas que, na verdade, pode assumir a forma das suas piores fobias e medos.

Após o desaparecimento de seu irmão mais novo, Bill Denbrough se une a um grupo de crianças de sua idade para formar o Clube dos Otários, que investiga por conta própria a série de desaparecimentos. Logo, eles descobrem que essa entidade que aterroriza Derry o faz há séculos, em ciclos de 27 anos, e que sua origem é mais remota e aterrorizante do que eles poderiam imaginar.

It é baseado no romance homônimo de Stephen King publicado em 1986. Na ocasião, King e seu calhamaço de mais de mil páginas foram indicados ao World Fantasy Award e venceram o Britsh Fantasy Award, também se tornando o livro e autor mais vendidos daquele ano. Quatro anos depois, foi lançada a primeira adaptação do livro, no formato de minissérie, com Tim Curry no papel do palhaço Pennywise. Tal adaptação divide fãs da obra, que a consideram ou boba, ou fiel ao livro original.

O primeiro filme tem substancialmente menos violência e apela mais para o humor, ao mesmo tempo em que narra as duas narrativas presentes no livro: dos protagonistas enquanto crianças e posteriormente como adultos. A versão de 2017 de It, no entanto, não foge da violência e de suas implicações (embora ele deixe muito do material mais “pesado” do livro de fora), enquanto narra apenas a primeira parte do livro: com os protagonistas jovens.

Foi uma decisão interessante por parte dos cineastas, mas que, assim como sua versão anterior, poderia facilmente ter dado errado. No entanto, It: a Coisa funciona, e funciona muito bem. Isso se dá por dois motivos principais: primeiro, o elenco. As crianças são interpretadas por atores jovens muito promissores e Bill Skarsgard está soberbo como o palhaço. A segunda questão que auxilia o sucesso do filme é que ele entende o cerne da questão presente no livro. E não são os sustos.

Sim, há uma série de sequências assustadoras e violentas no filme (e elas funcionam pelos mesmos motivos que o livro funciona: It lida com os medos atávicos que nascem na infância, e os extrapola para a realidade), mas elas não são a preocupação central do longa-metragem dirigido por Andy Muschietti. Os personagens e seus relacionamentos que são.

É por isso que o filme funciona: porque ele se foca nos atores, nos personagens e nas histórias que eles contam. Por isso o terror torna-se mais envolvente: porque os custos são altos. O filme também entende que ele não precisa ser uma adaptação fiel e perfeita do romance original (isso seria impossível). Ele só precisa contar a mesma história. E foi bom ver que os cineastas, o elenco e todos os envolvidos acreditaram no material que tinham em mãos. A história de Stephen King funcionava em 1986 e, 31 anos depois, continua funcionando.

Peço para aqueles que pretendem assistir a este filme, para que olhem além da superficialidade, além dos monstros, do sangue e dos sustos. It conta a clássica história do bem contra o mal, mas com uma sofisticação sutil. Ele mostra que o mal, para todos os efeitos, não suporta ser confrontado. Que, por meio do auto sacrifício, da coragem e da amizade, ele se torna fraco e pode ser derrotado.

Roberto Fideli

Jornalista e mestrando da Faculdade Cásper Líbero. Fanático por cinema, desenhos japoneses, fantasia e ficção científica. Seu sonho é ser piloto de naves espaciais, mas não tem coordenação motora para isso.

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