Jurassic Park — Os dinossauros de Michael Crichton

Jurassic Park CapaJurassic Park foi um dos grandes marcos literários e cinematográficos da ficção científica nos anos 1990. O romance escrito por Michael Chrichton em 1990 foi um best-seller e a adaptação feita para as telonas por Steven Spielberg em 1993 arrecadou 1,3 bilhão de dólares em bilheteria, se tornando o maior sucesso da história do cinema até o lançamento de Titanic, em 1997. A fascinação do público pelos dinossauros rendeu mais três filmes, sendo que o último, Jurassic World (2015) se tornou a quarta maior bilheteria da história do cinema, arrecadando 1,7 bilhão de dólares.

É difícil compreender tamanha fascinação pelos seres pré-históricos: talvez seja a oportunidade de ver, mesmo que numa obra de ficção e com o auxílio de computação gráfica e animatronics, animais que existiram no mundo em seu princípio, em uma realidade totalmente diferente da nossa em todos os seus aspectos e que desapareceram de forma misteriosa. O longa de Spielberg captura bem o senso de maravilhamento diante de criaturas que não pertencem ao nosso tempo, mas que são majestosas de uma forma atemporal.

Já o livro de Chrichton parece ter um objetivo singular em mente, e que difere do filme de Spielberg. John Michael Chrichton foi um escritor norte-americano nascido em Chicago, em 1942 e falecido em 2008, vítima de um câncer. Ele se formou em medicina pela universidade de Harvard, mas acabou se tornando um escritor, roteirista e diretor de cinema. Muitos de seus livros foram best-sellers e adaptados para o cinema, como, por exemplo, O Enigma de Andrômeda, de 1969, Jurassic Park, de 1990 e O Mundo Perdido, de 1995. Chrichton também escreveu e dirigiu o filme Westworld em 1973, que atualmente é uma série produzida pelo canal HBO.

Suas histórias são suspenses de ficção científica com forte embasamento científico, nas quais a tecnologia não funciona corretamente e sai do controle dos seres humanos, como é o caso de Jurassic Park. Normalmente são contos de advertência que mostram o que pode acontecer com o desenvolvimento científico, quando ele cai nas mãos de pessoas que não têm certos discernimentos éticos ou morais. No livro, um milionário chamado John Hammond, consegue, por meio de um complexo sistema de engenharia biogenética, clonar dinossauros e, com essa tecnologia em mãos, ele decide criar um parque. Os investidores, temendo que as coisas fujam do controle, enviam uma equipe formada por advogados, um matemático chamado Ian Holm, um paleontólogo chamado Alan Grant e uma bióloga chamada Ellie Satler. Eles ainda são acompanhados dos netos de John Hammond, Lex e Tim, convidados para conhecer o parque e suas maravilhas.

Entretanto, um funcionário mal intencionado desliga as cercas elétricas para roubar embriões e vendê-los para uma empresa rival. O plano deveria durar poucos minutos, mas, durante o tempo em que as cercas ficaram desligadas, os dinossauros escaparam, e o que se seguiu foi um banho de sangue.

Jurassic Park é um livro complexo e bastante detalhado que possui questionamentos interessantes sobre o mau uso da tecnologia e a ilusão dos criadores do parque em manter aquele ecossistema em seu controle. Não obstante, o livro carece seriamente de desenvolvimento de personagens, todos estereotipados, e abusa dos diálogos expositivos e dos clichês. O filme, mais compacto (obviamente) e mais dinâmico, é mais amigável com o público jovem e consegue sustentar a essência do romance, adicionando emoções que o livro não traz.

Roberto Fideli

Jornalista e mestrando da Faculdade Cásper Líbero. Fanático por cinema, desenhos japoneses, fantasia e ficção científica. Seu sonho é ser piloto de naves espaciais, mas não tem coordenação motora para isso.

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