Laranja Mecânica, a distopia de Anthony Burgess

laranja_mecanica_capaLaranja Mecânica, escrito por Anthony Burgess, é um livro horroshow sobre nosso drugui Alex, um malenk ultraviolento que gostava de bater em veks. Não entendeu nada? Vou explicar.

John Anthony Burgess Wilson, nasceu em Manchester, na Inglaterra, em 25 de fevereiro de 1917. Durante sua vida, foi escritor, tradutor, dramaturgo, compositor, linguista, poeta e crítico. Burgess foi diagnosticado com tumor cerebral, e os médicos lhe deram pouco tempo de vida. Por conta disso, ele passou a se dedicar à escrita, e foi assim que escreveu Laranja Mecânica, sua obra mais importante, que ele temia deixar inacabada.

Só que ele não tinha um tumor cerebral. Ufa. Deu tempo de não só de terminar o livro em 1961, como de testemunhar toda a repercussão que sua a obra causou na sociedade. Ele só viria a morrer em 1993, de câncer de pulmão aos 76 anos, 41 após o lançamento do livro.

Laranja Mecânica foi lançado em 1962, e, ao lado da tríade 1984, Admirável Mundo Novo e Fahrenheit 451, é uma das distopias mais importantes e influentes de todos os tempos. A história ficou muito mais conhecida pelo filme de mesmo nome, dirigido por Stanley Kubrick e lançado em 1971.

O livro é narrado em primeira pessoa por Alex, um garoto que gostava de praticar atos de ultraviolência e estupros durante as madrugadas de sua juventude. Ele usa a linguagem nadsat em sua narrativa, uma língua criada por Burgess que é, na verdade, uma mistura das gírias da época de sua escrita e do idioma russo. As palavras estranhas podem causar certa estranheza à primeira vista, mas são compreensíveis pelo contexto e, caso não sejam, há um glossário no final do livro.

Alex começa a história com 15 anos, contando sobre suas madrugadas com seus druguis, ou amigos, pelas ruas de uma cidade grande. Eles gostam de vagar pelas ruas e bater nas pessoas mais velhas, além de realizar estupros coletivos em garotas, só por diversão.

Não é uma história leve. E se você tem problemas ou gatilhos com esse tipo de coisa, sugiro veementemente que não leia Laranja Mecânica, porque a violência é bastante explícita e pode causar mal-estar.

O fato é que, em uma noite, Alex é preso por matar uma velha espancada e fica dois anos na prisão. Com a superlotação dos presídios e com a violência extrema da juventude, surge uma técnica de recondicionamento que, supostamente, transformar criminosos em “boas pessoas” em apenas duas semanas.

Alex, então, é submetido a essa técnica de Ludovico, que não é nada mais, nada menos, do que uma lavagem cerebral que faz com que seu cérebro associe violência com mal-estar, e assim ele estaria curado de seus instintos violentos.

O que o autor discute aqui é a questão do condicionamento social, da falta de escolha entre o bem e o mal. Alex é condicionado a ser bom, ele não consegue nem pensar em violência sem ficar enjoado.

Laranja Mecânica fala sobre um governo que tira o livre arbítrio, a liberdade de escolha, dos jovens em prol de um bem maior. E Burgess deixa o questionamento: será que isso é certo? Burgess acreditava que é melhor mau por escolha, e que não cabe a nenhum governo ou organização retirar essa liberdade das pessoas.

Essa edição é a comemorativa de 50 anos lançada em 2012 pela Editora Aleph. Conta com tradução de Fábio Fernandes, ilustrações de três artistas e vários extras, com textos do autor e entrevistas com ele.

Laranja Mecânica (Orange Clockwork). Anthony Burgess. Tradução de Fábio Fernandes. Editora Aleph, 2012, 352 páginas. ISBN-10: 8576571366 ISBN-13: 978-8576571360

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Gabriela Colicigno

Jornalista, ruiva, nerd, geek e louca por chocolate. Passa a maior parte do tempo do dia no computador, vendo seriados no Netflix, lendo um livro, ouvindo música ou brincando com os gatos.

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