Life is Strange – Brincando com o tempo

Quando Max Caufield volta para sua cidade natal depois de cinco anos, as coisas estão praticamente como ela as deixou. Focada em seu curso de fotografia, Max tenta captar pelas lentes da câmera as “cotidianidades” ao seu redor quando se vê testemunha de um assassinato dentro da escola. Ao tentar impedir o evento, a jovem descobre ser capaz de voltar alguns minutos no tempo e poder corrigir suas escolhas. A partir dai, o jogo Life is Strange leva personagem e jogador por uma narrativa emocionante, nostálgica e delicada, com um surrealismo no estilo de Twin Peaks e o tom cativante de Gone Home.

2015-04-12_00004Uma pequena cidade em Oregon, chamada Arcadia Bay, uma escola de colegial com o típico status quo de um colégio americano, uma polaroide e a inesperada habilidade de voltar no tempo. Esse seria apenas um início para descrever Life is Strange, desenvolvido pela Dontnod Entertainment. Em meio a dramas adolescentes e a descoberta do mundo, Max Caufield tem poucos dias para entender os mistérios que cercam Arcadia Bay e tentar salvar as pessoas que lhe são caras.

Há algum tempo, jogos trouxeram a possibilidade dos jogadores definirem de forma mais complexa as ações de suas personagens a partir de sistemas elaborados de escolha e consequência. O estúdio de games Telltale Games deu grande passo com Walking Dead ao inserir consequências reais para as escolhas dos jogadores, abrindo uma gama de possíveis finais e narrativas dentro de um mesmo jogo. Heavy Rain, do estúdio Quantic Dream, também explorou muito essa nova possibilidade, criando um jogo sem “game over”. E agora Life is Strange entrou na corrida de escolha-consequência, explorando a possibilidade de voltar no tempo para “experimentar” algumas das consequências. Max-Life-is-Strange-650x350

A grande diferença no sistema de escolhas que a Dontnod criou para este jogo é a habilidade de Max de voltar apenas alguns segundos no tempo e uma quantidade limitada de vezes antes de ter que lidar com fortes enxaquecas e um nariz sangrando, permitindo que o jogador possa trocar suas escolhas e observar a reação dos outros personagens, mas sem escapar de uma escolha final. As consequências das escolhas dentro do jogo são complexas, podendo demorar episódios para que quem estiver jogando finalmente perceba a profundidade de suas escolhas, mesmo as mais simples, como apagar escritos no vidro de um banheiro ou impedir que uma bola de futebol americano acerte a cabeça de alguém.

Life is Strange explora o estilo adventure do jogo para apresentar ao jogador um ambiente delicado e rico, personagens cativando e uma trilha sonora espetacular. Aliás, a trilha sonora é algo que merece destaque no jogo, fazendo mais do que bem seu papel de envolver o jogador. O gráfico simples ganha destaque pelos detalhes e as histórias complexas que envolvem todos os personagens, que lidam com situações cotidianas e além, como bullying, suicídio e relações familiares. Um dos pontos negativos do jogo provavelmente é o esforço deste para que o jogador não perca os detalhes da história, sempre repetindo pensamento e textos sobre o mesmo assunto, ao ponto de as vezes ficar repetitivo.

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Life is Strange não é um jogo de ação ou que precise de estratégia, mas para aqueles que gostam de curtir a história, se envolver com uma boa trilha sonora e brincar com diferentes possibilidades, é um jogo que não deve ser ignorado.

 

 

Jogo: Life is Strange
Desenvolvedora: Dontnod Entertainment
Plataformas: PC, PlayStation 3, Playstation 4, Xbox 360, Xbox One
Data de Lançamento: Episódio 1: 30 de janeiro
Episódio 2: 24 de março
Episódio 3: Maio
Episódio 4 e 5: sem data definida
Preço: R$36,99 (os cinco episódios)

Yolanda Moretto

Jornalista, geek, rato de biblioteca, gamer. Formada pela Faculdade Cásper Líbero, atualmente estuda Ciências Sociais na USP e trabalha com assessoria de imprensa.

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