Mortalha da Lamentação – Uma aventura original

mortalha_da_lamentacaoNo dia seguinte ao assassinato do presidente dos Estados Unidos John F. Kennedy, 23 de novembro de 1963 (coincidentemente ou não, o mesmo dia da estreia de Doctor Who na BBC), as pessoas começam a ver rostos em lugares inusitados, como névoas, manchas de café ou gotas de chuva na janela. E não são quaisquer rostos: as pessoas veem seus entes queridos já falecidos, que começam a falar e gritar, acusando-os de serem responsáveis por suas mortes.

As Mortalhas, como esses rostos revelam se chamar, se alimentam da tristeza alheia e se aproveitaram do estado de comoção da população mundial com a morte do presidente para atacar a Terra. É hora do Doutor e da companion Clara se juntarem para salvar a humanidade, superando seus próprios lutos.

Escrito por Tommy Donbavand, Mortalha da Lamentação capta com exatidão os trejeitos, manias e modo de falar do Doutor interpretado por Matt Smith nas telas da televisão. Mesmo Clara Oswald, que ganha vida com a atriz Jenna Coleman, está bastante parecida, embora como na série pareça ligeiramente mais apagada. A novelização do seriado britânico não é nova: já existem dezenas de livros, quadrinhos ou áudios de Doctor Who, mas Mortalha da Lamentação é um dos poucos a chegar no Brasil, traduzido pela Suma de Letras (que também trouxe Shada, um roteiro original de Douglas Adams que nunca foi totalmente filmado).

A história tem tudo o que um bom episódio de Doctor Who precisa: aliens atacando a Terra, outros planetas, viagem espacial e personagens que acompanham o Doutor e o ajudam a salvar o dia. Nesse caso, além de Clara, o guarda Reg Cranfield e a repórter Mae Callon são aliados valiosos na luta contra as Mortalhas, sem falar em uma trupe de palhaços.

Donbavand consegue juntar os elementos de cada personagem: as falas típicas do Doutor, assim como suas ideias malucas e seu carisma inigualável estão presentes, assim como os humores de Clara, suas soluções práticas e sua disposição para ajudar. Mas uma das melhores coisas do livro é que ele pode ser lido por qualquer um, tendo visto ou não um episódio de Doctor Who. Claro, os fãs e quem já tem conhecimento da série terão mais camadas para desvendar: são inúmeras referências à série clássica, assim como à série atual, com personagens sendo relembrados, frases de efeito ou pequenos comentários aqui e ali, que, sob um olhar atento de um conhecedor da mitologia da série, podem provocar um pequeno sorriso ou arrancar lágrimas.

Com um enredo divertido, mas profundo, o livro se consagra como uma aventura incrível do Décimo Primeiro Doutor, trazendo para as páginas de papel um personagem tão icônico e incrível da série de televisão que segue há mais de 50 anos encantando gerações.
Tommy Donbavand. Mortalha da Lamentação (Shround of Sorrow). 2014, Editora Suma de Letras. Tradução de Cláudia Mello Belhassof. 171 páginas.

Gabriela Colicigno

Jornalista, ruiva, nerd, geek e louca por chocolate. Passa a maior parte do tempo do dia no computador, vendo seriados no Netflix, lendo um livro, ouvindo música ou brincando com os gatos.

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