Neuromancer | Clássicos da Ficção Científica #6

neuromancer_capaNeuromancer, livro de estréia do norte-americano/canadense William Gibson, tornou-se um marco seminal do movimento literário Cyberpunk em 1984, considerado, até hoje, o mais importante livro desse subgênero que fez grande sucesso nos anos 1980 e 1990. Atualmente, no entanto, seu brilhantismo tão evidente 31 anos atrás parece ter se apagado um pouco.

Case é um hacker viciado de uma Tóquio poluída e superpovoada de um futuro não muito distante, que aceita um último trabalho de um empregador obscuro que prometeu curá-lo de um envenenamento. Em seguida ele se envolve com uma sensual samurai das ruas, segredos militares, inteligências artificiais e a “matrix”, uma elaborada realidade virtual, descrita como “uma alucinação consensual do ciberespaço”, onde milhões de pessoas se conectam todos os dias.

Neuromancer é formidável na maneira como ele elabora conceitos revolucionários dentro da ficção científica e que falam muito sobre o mundo no qual nós vivemos, prevendo características e tecnologias do século XXI com precisão assombrosa, como, por exemplo, o próprio conceito de “ciberespaço”, que o próprio Gibson cunhou com o conto Burning Chrome, dois anos antes.

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Porém, por trás de todos seus elementos metafóricos, místicos, tecnológicos e filosóficos – que são, de fato, revolucionários para a literatura pós-moderna e de ficção científica, a narrativa de Neuromancer é particularmente insubstancial. Excessos de circunvoluções, descrições, diálogos expositivos e personagens unidimensionais, tornam-no um livro simultaneamente instigante e alienador. Essa é uma mistura perigosa: propositalmente ou não, Neuromancer tem muita teoria, mas pouca carne.

Roberto Fideli

Jornalista e mestrando da Faculdade Cásper Líbero. Fanático por cinema, desenhos japoneses, fantasia e ficção científica. Seu sonho é ser piloto de naves espaciais, mas não tem coordenação motora para isso.

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