O Aprendiz de Assassino

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Acompanhe a história de Fitz, um bastardo real da linhagem Visionário, pelas terras medievais criadas pela incrível mente da autora Robin Hobb. Apesar de serem feitas muitas comparações com as Crônicas do Fogo e do Gelo, é possível que A Saga do Assassino seja muito superior, em vários aspectos, inclusive porque são menos personagens para acompanhar. Mesmo que a história se passe no mesmo ritmo lento, é mais difícil se perder nos acontecimentos, o que frequentemente me acontece nos livros do George Martin. O primeiro livro, O Aprendiz de Assassino, conta o início da vida de Fitz nos Seis Ducados e sua educação para se tornar um serviçal do Rei.

Fitz foi entregue ao castelo dos Visionários, na Torre do Cervo, quando tinha seis anos. Seu pai, o Príncipe Herdeiro Cavalaria, não pode reconhecê-lo como filho legítimo e, para não desonrar o reino, renuncia à coroa e se isola com a mulher. O garoto, portanto, é criado por Bronco, responsável pelos estábulos reais, até que o Rei Sagaz, avô de Fitz, resolve educá-lo como deve ser e colocá-lo a serviço da família real. Com os ensinamentos de Breu, Fitz deve se tornar um assassino, com conhecimentos necessários para matar discretamente inimigos da coroa.

E é nesse período que se passa o primeiro livro da Saga do Assassino. Em um mundo medieval com cavaleiros, reis e bastardos, no qual todas as pessoas têm nomes relativos ao seu ofício ou ao que esperam delas no futuro, a linhagem Visionário, dos reis e rainhas, tem um dom: o Talento. Um artifício mental que permite comunicação mental, troca de pensamentos e, até mesmo, imposição de ideias em mentes fracas. Lembra bastante o poder dos Jedi em Star Wars, que podem influenciar as pessoas a pensarem o que eles querem.

Fitz precisa acompanhar o casamento de Veracidade, seu tio e príncipe herdeiro, mas as coisas nunca saem como o desejado, e ele se vê no meio de intrigas reais, um casamento arranjado e tentativas de assassinato contra sua pessoa. Para sobreviver, Fitz precisa usar a Manha, outro artifício mental milenar que permite conexões mentais com animais, e o Talento, além de todas as coisas que aprendeu com Breu para sobreviver e salvar aqueles de quem ama.

Enquanto isso, os Navios Vermelhos atacam a costa dos Seis Ducados e ameaçam a população com a Forja, uma técnica que retira toda e qualquer emoção das pessoas, fazendo com que elas se tornem cascos vazios, sem sentimentos e incapazes de sentir remorso, que atacam familiares e amigos, saqueiam o que encontrarem e tornam a vida de Fitz mais difícil.

O livro é em primeira pessoa, narrado por um Fitz mais velho, em uma tentativa de escrever sobre a história dos Seis Ducados e por tudo o que passou. Robin Hobb demonstra uma incrível capacidade de prender o leitor em um livro enorme, mesmo nos momentos em que a história avança sem muita ação e acontecimentos importantes. O universo criado por ela é tão incrível, assustador e empolgante quanto o Westeros de George Martin. E, de certa forma, apenas um ponto de vista e menos personagens (em cena, porque tem muita gente nessa história) tornam a narrativa mais simples e menos cansativa. Hobb consegue unir todas as coisas que uma fantasia medieval precisa: dragões, castelos, inimigos, magia, realeza, assassinos e poderes incríveis, tudo mesclado com um modo de contar histórias envolvente e cativante, mesmo quando lento.

Robin Hobb. O Aprendiz de Assassino (Assassin’s apprentice). Editora Leya. Tradução de Orlando Moreira. 417 páginas.

Gabriela Colicigno

Jornalista, ruiva, nerd, geek e louca por chocolate. Passa a maior parte do tempo do dia no computador, vendo seriados no Netflix, lendo um livro, ouvindo música ou brincando com os gatos.

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