O remake de RoboCop

É muito fácil falar de um remake quando este é ruim. Basta dar os motivos pelos quais o filme é uma droga, e todo mundo vai entender o porquê. Mas RoboCop (2014, 108 min.) é uma exceção a regra. Dirigido pelo mestre do cinema de ação no Brasil José Padilha, consegue alcançar o objetivo ao que se propõe: ser um filme de ação que traz um assunto a ser refletido. O mais incrível neste longa é o fato de seguir a essência do filme de 1987 enquanto renova sua história sem descaracterizar o policial robô original. E esse é o maior mérito do filme.

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Desconsidere a história do sangrento filme de Paul Verhoeven. Dela, o remake só capturou o próprio RoboCop, a locação da cidade de Detroit, alguns personagens e a empresa multinacional OmniCorp. Ah, sim, e os robôs ED-209, que desta vez não travam à vista de uma escada como antes. Fora isso, o filme de Padilha é uma releitura, com menos sátiras sociais e um clima mais documentarista, como visto em Tropa de Elite 1 e 2.

Este novo Alex Murphy já começa como um policial de Detroit, lutando contra tudo e todos para colocar os bandidos atrás das grades. Porém, como já aprendemos nos inúmeros filmes policiais que assistimos, meter o nariz onde não é chamado não faz muito bem para a saúde. Assim, o detetive Murphy acaba meio morto. Sim, desta vez o policial exemplar ainda tem vida, quando a escolha de transformá-lo num robô para salvar sua vida recai nas mãos de sua esposa.

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Este novo RoboCop vai exatamente no sentido oposto ao antigo. Enquanto o androide de Verhoeven começa como um robô e recobra sua humanidade, o filme de Padilha acompanha cada momento da degradação de Murphy até um estado robótico e desumano. Além dessa questão óbvia, vemos também os impacto político que a chegada de um policial robô causa na sociedade e os problemas decorrentes.

RoboCop consegue um grande feito, sendo uma excelente reflexão filosófica e um incrível filme de ação. A primeira metade é um pouco lenta, mas sem ela você ficaria perdido no mundo criado pelo filme. Sem querer dar spoilers, é um remake surpreendente por não ser o RoboCop que você conhece, mas uma incrível adaptação à nossa realidade e a um tema que ainda vai dar muito o que falar nos próximos anos.

Paulo Ferreira

Repórter da Revista Xbox, é leitor inveterado e viciado em James Bond, Half-Life e peças de Lego. Curte Queen, mas não nega que já cantou Ilariê no karaokê. Crítico de games por vocação, não fica satisfeito se não jogar ao menos 35 horas por dia(!).

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