Os Filhos de Anansi – Fantasia exemplar

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Apesar de ter gostado do que li, não cheguei a terminar O Oceano no Fim do Caminho, então podemos considerar que Os Filhos de Anansi foi o primeiro livro de Neil Gaiman que realmente li. Pois bem, apesar de ter visto Coraline (e ficado com medo) e os episódios de Doctor Who escritos por ele, nada me preparou para o que encontrei nesse livro: a fantasia do autor norte-americano é muito bem colocada no “mundo real”, seus personagens multifacetados, mesmo quando estereotipados, e o livro possui uma narrativa tranquila.

Os Filhos de Anansi, republicado recentemente pela Intrínseca em uma edição belíssima com textos inéditos do autor, conta a história de Charlie, um americano comum que vive na Inglaterra. Extremamente tedioso e sem graça, do tipo que não canta em karaokês e nem faz nada divertido, Fat Charlie, que ganhou esse apelido carinhoso do pai, tem um trabalho comum, uma namorada normal e uma sogra que o odeia. Mas tudo isso muda quando Rose, a noiva, o convence a chamar o pai para o casamento. Ao telefonar para os Estados Unidos, descobre que o pai morreu e embarca no primeiro avião para o enterro.

O que Fat Charlie descobre ao retornar a sua cidade de infância é que o pai, Anansi, é na verdade o deus da trapaça, uma aranha, dono de todas as histórias do mundo. Além disso, recebe a notícia de que tem um irmão, Spider, e que para entrar em contato com ele, basta pedir ajuda a uma aranha. Pronto, é o que basta para o resto da vida de Fat Charlie desmoronar.

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Os elementos de fantasia estão por toda a narrativa. O apelido que ele ganha do pai e que simplesmente “pega” para sempre, o “irmão desconhecido”, as vizinhas meio bruxas… Tudo está interligado na teia da mitologia africana reapropriada por Gaiman e colocada de maneira incrível no nosso universo. Talvez seja essa um dos maiores encantos do autor: mostrar uma fantasia que está presente até nas coisas mais simples, imperceptível até que se saiba de sua existência.

A mitologia da história tem base africana, e os deuses são ligeiramente diferentes do que estamos acostumados, por exemplo, em Percy Jackson, sendo também humanos, ao mesmo tempo que animais. Ele está interligado com o livro Deuses Americanos, do autor, mas não há nenhum problema em ler antes ou depois, ou simplesmente ler apenas Os Filhos de Anansi.

O livro é sobre Anansi, o deus da trapaça, a aranha, o dono de todas as histórias do mundo, e sobre seus filhos e um Tigre. Mas é também um livro sobre conhecer a si mesmo, superar medos e obstáculos, e sobre a banalidade da vida humana em meio a tantas coisas grandiosas.

Os Filhos de Anansi (Anansi Boys), Neil Gaiman. Editora Intrínseca. Tradução de Edmundo Barreiros. 2015 | 328 páginas

Gabriela Colicigno

Jornalista, ruiva, nerd, geek e louca por chocolate. Passa a maior parte do tempo do dia no computador, vendo seriados no Netflix, lendo um livro, ouvindo música ou brincando com os gatos.

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