Os Melhores Filmes de 2003 a 2013

Com a aproximação do Oscar no próximo dia 2 de março, a equipe do Who’s Geek fez mais uma seleção para você. Desta vez, selecionamos o melhor filme de cada ano, desde 2003. Confira abaixo, veja os outros destaques e deixe sua opinião. Quem você escolheria? Quem ficou de fora?

  • 2003: Mestre dos Mares: o Lado Distante do Mundo

2003_mestre_dos_mares

O ano de 2003 foi um dos melhores da história do Oscar dos últimos dez anos. O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei acabou levando 11 estatuetas igualando o recorde de Titanic e Ben Hur, mas seus competidores não ficaram para trás. Entre os filmes que disputaram o prêmio estavam Seabiscuit, Sobre Meninos e Lobos, Encontros e Desencontros, e meu favorito, Mestre dos Mares. Com Russell Crowe no papel de um capitão de uma embarcação britânica durante a guerra contra Napoleão, este épico dirigido pelo australiano Peter Weir, provavelmente foi a coisa mais incrível a passar no cinema desde David Lean. Mas esta obra prima do cinema contemporâneo se supera por não ser somente um épico de inimagináveis proporções, mas um estudo minucioso da sociedade do século XVIII, contando com extraordinárias atuações de Russell Crowe e Paul Bettany. Não muito diferente de Titanic, a embarcação do filme cria um microcosmo, mas sua qualidade cinematográfica é indiscutivelmente melhor. Vencedor dos Oscar de melhor fotografia e edição de som.

Destaques: O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei, Seabiscuit, Alma de Herói, Sobre Meninos e Lobos, Encontros e Desencontros, Elefante e Procurando Nemo

  • 2004: Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças

2004_brilho_eterno_de_uma_mente_sem_lembrancas

Sou bastante cético quanto ao ano de 2004. Os dois principais competidores ao prêmio de melhor filme naquela ano foram Menina de Ouro e O Aviador de Clint Eastwood e Martin Scorcese, respectivamente. Eram dois filmes bons, filmados por cineastas consagrados e veteranos, mas tradicionais. Nenhum deles, no entanto, era uma obra prima. Os outros três filmes, Sideways: Entre umas e Outras, Ray e Em Busca da Terra do Nunca, compuseram uma das safras mais fracas da história do Oscar, nos últimos 10 anos. Ficou a cargo de Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, de Michel Gondry, trazer à superfície a originalidade que estava faltando. Nesse quesito, o filme é verdadeiramente único e até hoje permanece surpreendente e, provavelmente, eterno. Jim Carrey deu um show no papel principal, e o roteiro, a cargo de Charlie Kaufman, levou o prêmio de roteiro original. Aí, uma obra prima.

Destaques: Menina de Ouro, Colateral, Mar Adentro, Closer, Harry Potter e o Prisioneiro de Askaban

  • 2005: Marcas da Violência

2005_marcas_da_violencia

O ano 2005 continuou razoavelmente baixo considerando seu predecessor. O filme vencedor do Oscar foi o competente Crash, uma história sobre racismo, que competiu pau a pau com Brokeback Mountain, uma história sobre homossexualidade (colocado de forma simplificada). Nenhum dos dois, no entanto, era um filme extraordinário, e ficou por conta do lunático diretor canadense, David Cronenberg, capitanear o filme mais provocador, subversivo e espetacular do ano: Marcas da Violência. Baseado em uma graphic novel, e com Viggo Mortensen no papel principal, este é um filme perturbador que conta com atuações incríveis de todos os envolvidos. William Hurt acabou sendo indicado ao Oscar por sua brilhante aparição de dez minutos (sério) como um mafioso no final do filme. Ed Harris também dá um show e o filme arrebatou ainda uma indicação ao Oscar de roteiro adaptado. Merecia melhor filme, mas era subversivo demais para a Academia.

Destaques: Syriana, A Luta pela Esperança, Crash e King Kong

  • 2006: Filhos da Esperança

2006_filhos_da_esperanca

2006 a princípio me pareceu um ano fraco também, mas eu estava enganado. A safra do Oscar, que teve Os Infiltrados como vencedor, pode ter sido, mas o ano de 2006 guardou diversas surpresas que foram desconsideradas injustamente pela Academia. Babel foi um fiasco, Cartas de Iwo Jima, uma decepção, A Rainha, um pé no saco, e Pequena Miss Sunshine realmente era o melhor dos candidatos. Mas este ano teve dois dos melhores filmes da década, embora ambos tenham sido desmerecidos no final da premiação: O Labirinto do Fauno, uma fábula de terror estarrecedora de Guilhermo del Toro, e Filhos da Esperança, outra fábula, só que de ficção científica, do mexicano Alfonso Cuarón. América Latina reina, com dois mexicanos criando obras inacreditavelmente espetaculares. O suficiente para ser muito difícil escolher entre uma delas. Fiquei com Filhos da Esperança, uma distopia que se passa em um futuro onde a humanidade não consegue mais ter filhos. Em termos de cinematografia, provavelmente nunca mais veremos algum semelhante. Cuarón, um verdadeiro visionário, criou um filme belo, trágico e inesquecível. Simplesmente um dos melhores filmes de todos os tempos.

Destaques: A Dama na Água, O Labirinto do Fauno, Pequena Miss Sunshine, Cassino Royale, O Grande Truque, Voo 93 e A Vida dos Outros

  • 2007: Sangue Negro

2007_sangue_negro

Em contrapartida, 2007 foi um ano tão incrível, tão incrível, que realmente foi difícil escolher qual meu filme favorito dele. Onde os Fracos não têm Vez, o espetacular western dirigido pelos irmãos Coen levou a estatueta de melhor filme, que contou ainda com Desejo e Reparação, Conduta de Risco e Sangue Negro entre os indicados. De todos, Conduta de Risco ainda é meu favorito, possuindo um dos melhores roteiros que eu já vi nos últimos anos. 2007 ainda contou com os espetaculares Zodíaco, de David Fincher, O Assassinato de Jesse James e O Ultimato Bourne, o melhor filme de ação dos últimos 30 anos, que acabaram desmerecidos nas premiações mais importantes. Realmente foi um ano com uma safra incrível. Admito que quando vi Sangue Negro pela primeira vez no cinema, fiquei tão incomodado ao ponto de não gostar. No entanto, depois de ver outras vezes cheguei à conclusão que, dentre todos os filmes citados acima, este é o melhor. Não por muito, fato, mas é. Subversivo, inteligente, e incrivelmente atuado, este épico dirigido por Paul Thomas Anderson é, muito provavelmente, o melhor filme da década passada, quer eu tenha gostado dele ou não.

Destaques: Onde os Fracos Não Têm Vez, O Ultimato Bourne, O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford, Senhores do Crime, Zodíaco, Desejo e Reparação, Na Natureza Selvagem, Longe Dela e O Escafandro e a Borboleta

  • 2008: O Curioso Caso de Benjamin Button

2008_bejamin_button

2008 ainda foi um ano muito bom, mesmo tendo 2007 para competir. Uma pena, no entanto, que Quem Quer ser um Milionário, um conto de fadas terceiro-mundista e nada original, tenha levado o prêmio de melhor filme, quando Benjamin Button de David Fincher, uma fantasia sobre um homem que envelhece ao contrário tenha estado no páreo. Dentre as injustiças cometidas pela Academia nos últimos anos, essa foi uma das piores. Jamais foi feito um filme tão belo sobre o tempo e a velhice quanto este, senão, talvez, Amor de Michael Haneke. Esta fábula sobre envelhecimento me pegou de surpresa de tamanha forma que nunca poderei esquecer do impacto que ela me causou quando a assisti pela primeira vez. Fincher, até então, um cineasta conhecido por seus suspenses hiper-detalhistas surpreendeu a muitos com este filme que atua como se fosse uma poesia. Quem diria que ele um dia me faria chorar desse jeito?

Destaques: O Cavaleiro das Trevas, O Lutador, Dúvida e Gran Torino

  • 2009: Lunar

2009_lunar

Depois de dois anos muito bons, 2009 veio para baixar o nível consideravelmente. Os dois filmes que competiram pela principal estatueta foram Guerra ao Terror e Avatar, dois dos piores filmes a disputarem esse prêmio. Ainda me inclino para Avatar. Não entendo qual foi o bafafá em cima da Katherin Bigelow e detestei cada minuto de seu filme-propaganda sobre a guerra no Iraque. Chamá-lo de filme-propaganda pode ser um erro e até desmerecer o conjunto da obra, mas isso não o impede de ser incrivelmente ruim. Dentre os indicados ao Oscar, Bastardos Inglórios e Distrito 9 eram os filmes mais originais, embora nenhum deles tivesse a menor chance de levar a estatueta. No fim, o melhor filme do ano ficou fora da lista. Lunar, de Duncan Jones, uma ficção científica clássica estrelada por Sam Rockwell pegou a muitos de surpresa, inclusive a mim. Mais do que um suspense que se passa na Lua, o filme atua como um estudo profundo sobre a natureza humana, e o que significa ser humano. No entanto, sem deixar de ser um filme humanista. Não são todos os cineastas que conseguem uma proeza dessas.

Destaque: Bastardos Inglórios, Distrito 9, A Fita Branca, Onde Vivem os Monstros e Star Trek

  • 2010: A Rede Social

2010_rede_social

Mais um filme de David Fincher a surpreender, A Rede Social foi considerado pela crítica como o melhor filme de 2010. Por mais estranho que possa parecer, tenho que concordar. Muito surpreendente um filme que fala sobre a história do Facebook (pois é) ser tão avassalador, moderno e profundo quanto este. Crédito ao cineasta e ao roteirista Aaron Sorkin, por terem transportado às telas a grande ironia do século XX. Apesar de ser um dos filmes mais atuais e incisivos dos últimos anos, acabou perdendo o prêmio de melhor filme para o tradicional estudo sobre a aristocracia britânica e história de superação apresentadas em O Discurso do Rei. É um bom filme, sim, mas essa mancha ficará nas costas da Academia por muitos anos, como um dos maiores erros da história da premiação.

Destaque: O Discurso do Rei, Toy Story 3, Ilha do Medo e O Vencedor

  • 2011: Drive

2011_drive

Uma mulher, uma arma e um carro foram os elementos necessários para que o inconstante, mas inspirado diretor dinamarquês, Nicolas Winding Refn fizesse o melhor filme do ano. Tão inovadora, inventiva e extraordinária que foi sua direção, que, apesar de suas falhas técnicas e de roteiro, ela foi capaz de redefinir um gênero por completo, de forma semelhante ao que Steven Spielberg fez em O Resgate do Soldado Ryan: um filme imperfeito, mas tão bem dirigido, que supera suas limitações. Violento demais para o Oscar, ele ficará relegado ao público mais cult, mas tudo bem. Melhor assim, até. O prêmio do ano ficou com O Artista, um filme mudo. Consagrou de vez a fama da Academia de ser reacionária e conservadora. Scorcese devia ter levado o prêmio por Hugo Cabret, mas a grande injustiça ficou por conta de Emmanuel Lubezki ter perdido o Oscar de melhor fotografia por seu incrível trabalho em A Árvore da Vida, que também foi um dos melhores filmes do ano.

Destaques: O Espião Que Sabia Demais, A Árvore da Vida, Meia Noite em Paris, Cavalo de Guerra, O Abrigo e Super 8

  • 2012: Amor

2012_amor

Em um ano que contou com Skyfall, As Aventuras de Pi e Indomável Sonhadora, a Academia teve, em 2012, sua melhor safra desde 2007. Ficou por conta de Amor, no entanto, levantar os padrões até o infinito, como o melhor filme da temporada. Amor é como ler O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway. Você não entende, no começo, por que ele é tão bom, mas com o tempo, ele mergulha em você e nunca mais some. Em um filme simples de duas horas, o diretor austríaco Michael Haneke criou uma obra prima que demonstrou toda a fragilidade da existência humana. Filmes do tipo são feitos com muita raridade e entram para a história. Seu valor, sua profundidade e seu impacto serão desvendados e percebidos somente muitos anos depois de sua exibição. Amor é um desses filmes. Por mais difícil que tenha sido ver (não recomendo a qualquer um), provavelmente é um dos melhores filmes de todos os tempos, e certamente o melhor de 2012.

Destaques: Skyfall, O Mestre, Indomável Sonhadora, As Aventuras de Pi, Argo, Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge e O Vôo

  • 2013: Gravidade

2013_gravidade

Assim como 2007, 2013 foi um dos melhores anos para o cinema internacional. Foram Os Suspeitos, Capitão Phillips, Jogos Vorazes: Em Chamas, Star Trek, Azul é a Cor mais Quente, Balada de um Homem Comum, Ela e 12 Anos de Escravidão, só para citar alguns. Dentre tantos filmes incríveis e distintos, como selecionar um que se destaca? Essa, obviamente, se condicionou como a tarefa desta postagem, e bastante complexa ela é. Como você deve ter notado até agora, os filmes selecionados para esta lista se destacam como obras que fazem um uso diferente ou excepcional de sua linguagem narrativa ou tecnológica. Dessa forma, é de se esperar o filme que juntou os dois: Gravidade. Unindo a maestria técnica e narrativa de Alfonso Cuarón com a fotografia de Emmanuel Lubezki, os dois mexicanos deixaram Hollywood (e eu) de queixo caído com a história de dois astronautas que ficam à deriva no espaço depois que sua nave é destruída. Desenhado para ser um filme de ação e suspense, Gravidade tornou-se uma coisa única e viva, decididamente, o melhor filme de 2013.

Destaques: Os Suspeitos, Capitão Phillips, Jogos Vorazes: em Chamas, Star Trek: Into Darkness, Ela, 12 Anos de Escravidão, Clube de Compras Dallas, O Lobo de Wall Street, A Grande Beleza, Azul é a Cor Mais Quente e Balada de um Homem Comum

Roberto Fideli

Jornalista e mestrando da Faculdade Cásper Líbero. Fanático por cinema, desenhos japoneses, fantasia e ficção científica. Seu sonho é ser piloto de naves espaciais, mas não tem coordenação motora para isso.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *