Prata – Uma aventura na Londres Vitoriana

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Depois de terminar a série de livros de fantasia e ficção científica Artemis Fowl de forma quase satisfatória, Eoin Colfer traz para seus leitores uma nova série: PRATA (WASP). Começando com  O Assassino Relutante (The Reluctant Assassin, 2013), o autor coloca no papel seus dons para trabalhar as viagens no tempo. Esse tema já foi abordado por ele em Artemis Fowl e em seu livro da coleção d’O Guia do Mochileiro das Galáxias, E tem outra coisa…, sem falar no conto do Primeiro Doutor, do livro 12 Doutores 12 Histórias, mas é a primeira vez que traz uma série baseada nisso. E, convenhamos, ele sabe do que está falando.

Chevron Savano, ou Chevie, é uma quase-agente do FBI. Com apenas 16 anos ela foi recrutada para um programa experimental com jovens agentes, mas um pequeno deslize coloca tudo a perder e ela é enviada para Londres, até a poeira baixar. Agora com 17, Chevie passa seus dias vigiando uma estranha máquina em um porão da Inglaterra, com o agente Laranja bufando no seu cangote. Tudo parece correr monotonamente normal, até que luzes estranhas ligam a máquina e um garoto aparece com uma faca enfiada em um cadáver. O menino é Riley, e o homem é o inventor daquela máquina do tempo.

Riley veio direto da Inglaterra Vitoriana, do fim do século XIX, para o século XXI. E ele precisa correr, pois Garrick, um serial killer e ex-mágico ilusionista, está à sua procura, e pouco mais de cem anos não vão ser um problema para ele. Determinado a matar o ex-assistente, Garrick vem para o presente depois da equipe de limpeza do FBI aparecer em sua época. O que ele não contava é que sua mente ficasse unida ao agente Laranja, de forma que ele detém conhecimentos de ambas as épocas. Quase imortal por um problema quântico, o serial killer está ainda mais perigoso, e agora Riley e Chevie precisam unir seus conhecimentos para derrotá-lo. Ela só não contava que fosse precisar fazer isso no passado.

Com uma escrita fácil, fluida e estilo único, Eion Colfer consegue construir personagens cativantes e valentes. Até mesmo os personagens mais terciários se tornam peças importantes em sua escrita detalhada, e é possível conhecer ao menos um pouco da história de cada um deles (ao menos antes que sejam mortos, na maior parte das vezes). Um dos poucos problemas que encontrei no livro se dá por conta da tradução: perdeu-se muito das diferenças linguísticas entre os séculos XIX e XXI. Mesmo assim, houve um grande esforço para colocar palavras que denotassem essa diferença.

Diferente de Artemis Fowl, não há fadas e outros seres mitológicos em PRATA. Há apenas a ciência, um pouco de engenharia quântica e muita imaginação. Certamente o autor acertou na fórmula de sua nova série e mal posso esperar pela próxima aventura de Chevie e Riley. Só resta aguardar o lançamento e mergulhar em mais aventuras pelo passado e o presente. Quem sabe até o futuro.

Eoin Colfer. PRATA – O Assassino Relutante (WARP: The Reluctant Assassin). Editora Galera Júnior. Tradução de Alves Calado. 351 páginas. 40 reais.

Gabriela Colicigno

Jornalista, ruiva, nerd, geek e louca por chocolate. Passa a maior parte do tempo do dia no computador, vendo seriados no Netflix, lendo um livro, ouvindo música ou brincando com os gatos.

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