Réquiem: uma distopia brasileira

requiemNo mundo de Réquiem: Sonhos Proibidos, escrito pelo autor brasileiro Petê Rissatti, como o próprio título do livro deixa claro, é proibido sonhar. Ivan, assim como todas as outras pessoas, precisa tomar um comprimido antes de dormir todos os dias, inibindo seus sonhos. Quem não seguir o protocolo pode sofrer retaliações que vão desde prisões à execuções.

Em um mundo distópico altamente controlado, todas as atividades sociais são medidas e calculadas. Não há espaço para sonhos, divagações ou mesmo para imaginação. Tudo segue nos conformes do Governo Mundial, até que Ivan se esquece de comprar os comprimidos que o impedem de ter sonhos, e pela primeira vez em muito tempo, se deixa levar enquanto dorme.

O que ele não previa é que esse pequeno deslize colocaria não só a polícia em seu encalço, mas também um grupo autointitulado Sonhadores. Rebeldes contra o Governo Mundial, os membros desse grupo se recusam a tomar os comprimidos de Réquiem e lutam pela liberdade das pessoas de sonharem livremente. Capturado por eles, Ivan vai aprender qual a importância dos sonhos e de lutar pelas coisas em que acredita. Ao lado dos Sonhadores e da líder Grande Mãe, ele entra para a resistência armada.

Por um descompasso na sua agenda, ele havia se esquecido de retirar o novo estoque do remédio em uma das Farmácias, bem na esquina do seu prédio.

Em seu romance de estreia, o autor Petê Rissatti consegue criar um mundo que não parece distante da nossa realidade: com telas de toque, técnicas avançadas de medicina e uma sociedade extremamente organizada, porém intensamente vigiada, em que a liberdade de expressão é seriamente reprimida, Réquiem poderia tomar corpo em dez ou quinze anos.

Em uma crítica à sociedades controladoras, e com uma bela metáfora sobre o poder dos sonhos, ele traz uma história em que o personagem principal não poderia ser mais comum. Com um emprego normal, uma vida pacata e sem nenhuma centelha de rebeldia, Ivan é brutalmente jogado em uma nova realidade, em que precisa aprender a se defender e a lutar por novos ideais de liberdade que lhe são apresentados.

Gabriela Colicigno

Jornalista, ruiva, nerd, geek e louca por chocolate. Passa a maior parte do tempo do dia no computador, vendo seriados no Netflix, lendo um livro, ouvindo música ou brincando com os gatos.

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