A Seleção

a_selecao_1No meio de tantos livros sobre distopias, A Seleção decididamente não se destaca entre eles. Escrito por Kiera Cass, o livro conta a história de America Singer, uma garota de uma das castas mais pobres de um mundo pós-guerra. Tentando ir pelo mesmo caminho de outras séries como Jogos Vorazes e Divergente, o livro é bastante fraco e com uma história previsível.

Acredito que o mercado já esteja saturado de historinhas de mundos pós-guerras que se reorganizaram em sistemas de castas, distritos ou algo parecido. Desses, o único que se salvou de verdade e se mantém, é a trilogia Jogos Vorazes, por ter uma história consistente, personagens fortes e, talvez, por mostrar o horror escancarado. A Seleção não é nada disso, mas tenta, e consegue ser um romance água-com-açúcar com um plano de fundo que poderia ser mais interessante, se melhor explorado pela autora.

Os Estados Unidos da América foram dominados pela China e, depois de uma guerra mundial, as pessoas se reagruparam em torno de uma monarquia, como cidadãos de Illéa. São sete castas organizadas e os sem-castas, pessoas que são tão miseráveis que não pertencem a nenhum grupo social. Cada casta é responsável por uma atividade e a única maneira de mudar de casta é o casamento. América Singer, a protagonista, é uma Cinco, a classe dos artistas. Seu namorado, Aspen, é um seis, um serviçal.

Para entreter o povo, a Família Real realiza uma Seleção entre todas as meninas dentro de uma faixa etária para um reallity show com o príncipe Maxon. A vencedora casará com ele e passará a fazer parte dos Um, assim como o resto de sua família. América envia sua ficha de inscrição por pressão da mãe e do namorado, e, é claro, é uma dentre trinta e cinco garotas escolhidas para participar do programa e viver no castelo durante esse tempo. Toda a questão dos vestidos, festas e garotas é muito superficial e levemente chato.

Mas América não é uma personagem chata, aliás bem longe disso. O livro é em primeira pessoa e a personalidade dela é cativante, mesmo que a teimosia dela em relação ao príncipe sejam um tanto quanto irritante. No geral, ela consegue levar a narrativa de modo fluido e divertido. O problema mesmo é o enredo: é óbvio que ela vai ganhar, desde o começo. Mas, diferente do que acontece com outros heróis que você sabe que vão ganhar, mas se preocupa que possam morrer, em nenhum momento você imagina que América vá perder a competição, e isso é um problema para a história.

O plano de fundo de tudo são as guerras com os rebeldes, que aparentemente invadem o castelo sempre, mas como a mídia é controlada, nada disso é divulgado. Há mais do que a história que lhes é contada como oficial, e América está disposta a descobrir o que realmente aconteceu durante a formação de Illéa. Mesmo que isso signifique brigar com o rei, fazer acordos duvidosos com o príncipe e arranjar intriga com as outras participantes. A Seleção é o primeiro de três livros protagonizados por América, e espero veementemente que não se torne mais uma adaptação para o cinema fadada ao fracasso.

Ficha: Kiera Cass, A Seleção (The Selection), Editora Seguinte. Tradução: Cristian Clemente. 368 páginas, R$ 30.

Gabriela Colicigno

Jornalista, ruiva, nerd, geek e louca por chocolate. Passa a maior parte do tempo do dia no computador, vendo seriados no Netflix, lendo um livro, ouvindo música ou brincando com os gatos.

3 comentários em “A Seleção

  • 25/06/2014 em 13:33
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    Eu já li os três livros e amei, é bem previsível que vão ficar juntos mesmo, mas ainda sim fica uma incerterza a respeito do que vai acontecer com cada personagem, a escritora descreve tudo de um modo tão legal e com fluidez, como disse, que faz com que se interesse pelos livros que estão por vir. Também espero que não vire filme, jogos vorazes é o melhor de todos, e apesar de gostar ainda de Divergente, que faz parte desses livros distópicos, não curti o filme.

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    • 27/06/2014 em 16:01
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      Isabella, que bom que gostou. Eu não digo que desgostei dos três (porque li em apenas duas madrugadas), mas achei uma história mal aproveitada. Tinha muita coisa para ser explorada e melhor desenvolvida, mas a autora foi superficial. Eu entendo, ela quis colocar a questão política como plano de fundo, mas acabou sendo infantil até demais. Quanto ao Divergente, terminei de ler ontem. Acabei vendo o filme antes, por falta de tempo, mas vou publicar ambas as resenhas, fique de olho! 😉

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  • 11/08/2014 em 14:49
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    Quando esse livro saiu, a capa e a sinopse não me atraíram muito, achei mesmo que parecia bobinho. Depois li várias resenhas elogiando, e achei que talvez pudesse ser bom, mas ainda não está no topo da minha lista de leituras. Gostei da sua resenha, interessante ler a opinião de alguém que não gostou. Agora fico mais em dúvida, mas talvez dê uma chance a essa série, depois de Divergente, que ainda não comecei.

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