Star Trek – Sem Fronteiras: Jornada Retrô

Em Star Trek: Sem Fronteiras (Star Trek Beyond, EUA, 2016), a equipe de produção capitaneada pelo diretor Justin Lin (de Velozes e Furiosos) e os roteiristas Simon Pegg (que também interpreta o Scotty no filme) e Doug Jung trouxeram um clima mais retrô à nova franquia de filmes inspirada na série que conquistou fãs fervorosos em 1966, ao mesmo tempo em que restabeleceram uma identidade aparentemente perdida à franquia.

Quando J.J. Abrams assumiu a franquia Star Trek, ele imediatamente avisou que não era um fã da série criada por Gene Rodenberry em 1966. Ele era, na verdade, um fã incondicional de Star Wars, série de filmes na qual foi trabalhar em 2015. O resultado foi um Star Trek com fortes influências de seu rival, o que trouxe novos espectadores ao universo cinematográfico, ao mesmo tempo em que afastou outros.

Os dois outros filmes, Star Trek e Star Trek – Além da Escuridão não foram ruins, mas deixaram uma grande parcela do público esperando por mais elementos que moviam a série clássica de televisão, e talvez seja nesse ponto que Sem Fronteiras foi certeiro.

No terceiro filme da nova franquia, a aventura da tripulação da Enterprise sofreu grandes mudanças. No meio de uma missão de cinco anos em território inexplorado, o capitão Kirk (Chris Pine) contempla a possibilidade se tornar vice-almirante da frota estelar, enquanto Spock (Zachary Quinto) estuda assumir as responsabilidades como embaixador vulcano, depois da morte de Spock Prime (Leonard Nimoy). Essa primeira metade do filme, mais perspetiva, pode deixar fãs de grandes sequências de ação sonolentos, mas depois que a ação começa, ela não para mais.

Quando a Enterprise recebe um pedido de socorro em território desconhecido, a tripulação cai na emboscada do temível vilão Krall (Idris Elba), que possui uma rixa antiga com a Federação. A tripulação se separa, e precisa usar de toda a inteligência e habilidade para sobreviver. Isso faz com que pares inusitados sejam desenvolvidos. Spock e Bones (Karl Urban) estabelecem vínculos previamente inexistentes. Paralelamente, Kirk e Checov (Anton Yelchin) se unem para resgatar os aprisionados Sulu (John Cho) e Uhura (Zoe Zaldana); Montgomery Scott (Simon Pegg) se alia a uma alienígena chamada Jaylah (Sofia Boutella) que o ajuda a reencontrar seus companheiros perdidos.

As cenas de ação grandeloquentes são elegantemente filmadas pelo diretor Justin Lin, e os roteiristas Pegg e Jung mantém o humor o tempo todo. No entanto, o grande trunfo de Star Trek: Sem Fronteiras é como ele foi desenhado para parecer um episódio mais longo da série original. Exageros e furos de roteiro à parte, o longa funciona melhor quando vai de encontro à sua vibe retrô, estabelecendo novas camadas de profundidade para seus personagens, e menos preocupado em pirotecnias (embora essas sejam abundantes).

O filme é dedicado aos falecidos Leonard Nimoy e Anton Yelchin, e possui cenas muito emocionantes envolvendo os dois: fãs nostálgicos não sairão decepcionados.

Roberto Fideli

Jornalista e mestrando da Faculdade Cásper Líbero. Fanático por cinema, desenhos japoneses, fantasia e ficção científica. Seu sonho é ser piloto de naves espaciais, mas não tem coordenação motora para isso.

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