Star Wars: Herdeiro do Império

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Leia, Han, Luke e Chewie estão de volta para uma aventura original, situada cinco anos após O Retorno de Jedi, sexto episódio de Star Wars. Enquanto lutam contra seus próprios temores e demônios internos, os quatro procuram estabelecer a ordem na Nova República na galáxia, depois da queda do Imperador Palpatine. Enquanto isso, o sorrateiro e temível grão-almirante Thrawn recruta tropas remanescentes do Império para retomar o poder. Star Wars: Herdeiro do Império, de Timothy Zahn, traz de volta todos os elementos mais incríveis do universo criado por George Lucas para o cinema, neste romance.

Quando era criança e assisti aos filmes da saga, meus pais comentavam vagamente sobre uma terceira trilogia, nunca filmada por George Lucas, que contava a história do casamento de Han e Leia, seus filhos gêmeos e um novo vilão. Quando comecei a ler a introdução de Herdeiro do Império, notei que era disso que eles estavam falando, afinal de contas, o livro foi lançado originalmente em 1991, tendo chegado ao Brasil pela primeira vez em 1993. Mesmo assim, nenhum deles havia efetivamente lido o livro, apenas ouvido falar da história. Assim, cresci sabendo da existência de uma terceira trilogia, mas sem saber exatamente do que se tratava. Quando o autor visitou a Comic Con Experience em dezembro de 2014, eu sabia que ele havia escrito um livro do universo expandido, só não sabia que era a história tão comentada pelos meus pais durante toda minha infância, até ter o livro em mãos.

Relançado no Brasil em 2014 pela editora Aleph, o livro é a primeira parte da “Trilogia Trawn”, parte do universo expandido de Star Wars. Foi também meu primeiro contato com esse mundo para além dos cinemas. A introdução, escrita especialmente para essa edição da Aleph pelo próprio Timothy Zahn, conta como ele foi convidado para dar continuidade a um universo tão famoso. Comenta também seus temores, todos claramente infundados depois do sucesso de vendas que o livro se tornou.

E, decerto, ele fez um bom trabalho em trazer para os livros os personagens do cinema. Apesar de ter lido muitas críticas acerva do começo da história, classificada como “lenta”, não tive essa impressão. O livro fluiu muito bem, e em poucos dias já tinha terminado e queria mais. A questão é que Zahn usa os primeiros capítulos para situar a história e apresentar os personagens, sejam eles os novos ou já conhecidos, então pode parecer que há pouca ação na primeira parte do livro. Mas isso não é um problema: com suas descrições e contextualizações, é possível imaginar-se dentro das cenas, ao lado dos personagens, como acontece nos filmes.

Os capítulos, geralmente curtos, são muito bem divididos, alternando do ponto de vista do Império para os ex-Rebeldes e outros personagens de maneira fluida e intrigante. Entre os novos personagens mais instigantes estão o próprio vilão grão-almirante Thrawn, o jedi Joruus C’baoth e a contrabandista Mara Jade. Vale ressaltar aqui o incrível trabalho gráfico da Aleph, que traz uma dupla de páginas pretas no início de cada capítulo, com naves espaciais envoltas por centenas de estrelas.

O grão-almirante, com sua pele azul e olhos vermelhos, é ao mesmo tempo aterrorizante e hipnotizador. Com grande conhecimento de táticas de batalha e culturas de outros povos, é um inimigo implacável para a Nova República. Talvez o resultado da batalha de Endor, representada em Star Wars Episódio VI: O Retorno de Jedi (1983) fosse diferente se ele estivesse no comando. Apesar de não haver confronto direto entre ele e o trio principal, suas ações e manobras servem para desestabilizar a frágil estrutura republicana, e fica para o resto da trilogia o embate direto.

Por outro lado, o Jedi Joruus C’baoth é, ao mesmo tempo, uma arma e uma armadilha para os remanescestes imperiais. Seu poder de controlar as mentes de muitas tropas ao mesmo tempo pode dificultar a vida dos republicanos, mas pode tornar o Império dependente demais de suas habilidades.

Já a personagem Mara Jade é enigmática. Suas convicções e motivações não são muito claras ao leitor até o fim do livro, por isso evitarei spoilers, mas certamente ela chama atenção. Perita em lutas corpo a corpo, com uma inteligência muito acima de média, é difícil entender por que ela trabalha ao lado de contrabandistas, mesmo que seja para o melhor deles. Quase que uma “Viúva Negra” do espaço, traz uma estranha obsessão por encontrar Luke Skywalker, o que move boa parte da trama.

Do lado da Nova República, Leia, grávida de gêmeos, trata de questões burocráticas e diplomáticas, enquanto Luke tenta ensiná-la mais sobre a Força e como usar um sabre de luz. Han ajuda a esposa nas questões diplomáticas, ao mesmo tempo que tenta um acordo com famosos contrabandistas, tentando contratá-los para a República. Mas as coisas não vão bem: há muita discórdia entre o Conselho e faltam recursos para levar à diplomacia ao resto da galáxia. Ao mesmo tempo, o grão-almirante põe em prática seus planos de desestabilização, que incluem diversas armadilhas para Han, Luke e Leia.

Bastante envolvente, a trama criada por Zahn não deve nada aos episódios do cinema, e é uma pena que a Disney tenha descartado essa história para o epidósio VII, assim como o resto do universo expandido. Por outro lado, veremos uma aventura inteiramente nova em dezembro, mas talvez seja difícil superar a maestria do autor ao trazer para o papel uma das maiores franquias cinematográficas do cinema, principalmente com diálogos que parecem realmente ter saído da boca de Han Solo, Luke e Leia Skywalker. E, claro, os sons indiscutíveis de Chewie.

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Timothy Zahn: Herdeiro do Império (Heir to the Empire), 2014. Editora Aleph. Tradução de Fabio Fernandes. 472 páginas.

Gabriela Colicigno

Jornalista, ruiva, nerd, geek e louca por chocolate. Passa a maior parte do tempo do dia no computador, vendo seriados no Netflix, lendo um livro, ouvindo música ou brincando com os gatos.

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