Star Wars: O Último Comando – A aventura final

starwars_o_ultimo_comandoNo terceiro e último livro da Trilogia Thrawn, O Último Comando, o autor Timothy Zahn amarra as pontas soltas, entrelaça narrativas e encerra o que talvez seja uma das obras mais parecidas com a história dos cinemas no Universo Expandido de Star Wars. É uma pena que a Disney tenha desconsiderado essa trilogia na hora de fazer a nova, porque dariam bons filmes.

Aliás, é uma pena que o próprio George Lucas tenha desconsiderado tudo o que Zahn escreve quando cria os episódios I, II e III. É visível que ambas as obras não conversam entre si, com várias incongruências, principalmente porque os livros foram escritos antes dos “novos” filmes. Um adendo: precisamos deixar clara a nomenclatura para falar de Star Wars: Trilogia Clássica, Trilogia Nova e Trilogia Ainda Mais Nova me parece meio estranho, mas isso é assunto para outra hora.

O fato é que, seguindo a linha dos filmes, o segundo livro, Ascensão da Força Sombria, termina com todos os planos massacrados pelo que sobrou do Império, e com a Nova República tentando se reestruturar para um golpe final contra a ameaça que assoma a galáxia. Além disso, com a vinda dos gêmeos Jacen e Jaina, Leia e Solo têm uma, aliás, duas preocupações extras.

E, como se não bastasse terem perdido quase todas as esperanças de derrotar Thrawn com a Frota Katana, as lendárias naves das Guerras Clônicas, o almirante claramente tem um espião entre eles. Com a desconfiança pairando no ar, Leia e os outros membros do Conselho decidem que a melhor chance que têm e destruir a fábrica de clones de Thrawn, para enfraquecer sua frota. Paralelamente, Luke e Mara Jade continuam seu treinamento Jedi, para lutar contra o Mestre Jedi C’baoth e trazer algum equilíbrio à Força.

Assim como nos dois livros anteriores, a narrativa é intercalada pelos pontos de vista dos personagens principais (Han, Leia e Luke), com outras partes de Mara Jade, Thrawn e Karrde, o contrabandista que meio que passa para o lado da Nova República. Isso traz uma leitura bem dinâmica e com ritmo acelerado, como os filmes, que começa já no Herdeiro do Império. Aliás, torno a repetir: Zahn fez um trabalho magnífico em transportar o universo dos filmes para os livros, sem perder nas descrições e no modo de contar a história. Li outros livros do Universo Expandido, mas nenhum deles segue esse padrão da Trilogia Thrawn.

Talvez isso aconteça exatamente porque ela foi pensada como uma terceira trilogia “oficial” para Star Wars, antes da consolidação do Universo Expandido, antes do lançamento dos primeiros episódios, e, certamente, antes da divisão de livros Legends e Canon (entenda mais sobre isso no vídeo sobre como ler o universo expandido). Embora possa parecer corrido para outras pessoas, eu gostei do estilo do autor (e do autor, que aliás entrevistamos outro dia) e do final que ele deu para a história. Foi um bom encerramento e um bom último livro, com poucas pontas soltas e abertura para novas aventuras com nossos personagens do coração.

Outro ponto positivo é o Lando Calrissian, que aparece bastante. Fiquei realmente chateada por ele não aparecer no episódio VII, então fica aqui minha felicidade por ter páginas e mais páginas de aventuras com ele, Han Solo e Chewiee. Mas, de longe, as personagens que mais gosto nessa história são Leia e Mara Jade, duas mulheres incríveis, cheias de nuances e que saem chutando bundas quando precisam se defender, ou, no caso da Leia, defender seus filhos. Star Wars: O Último Comando não é o melhor dos três livros, mas ainda assim é muito bom.

Leia a resenha dos Herdeiro do ImpérioAscensão da Força Sombria.

Timothy Zahn. Star Wars: O Último Comando (The Las Comand). Editora Aleph, 2015, 528 páginas. Tradução de Fábio Fernandes. ISBN-13: 9788576572695

Gabriela Colicigno

Jornalista, ruiva, nerd, geek e louca por chocolate. Passa a maior parte do tempo do dia no computador, vendo seriados no Netflix, lendo um livro, ouvindo música ou brincando com os gatos.

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