Um talismã e outros mundos

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Não vá ler O Talismã esperando um clássico de terror de Stephen King, você irá se decepcionar lindamente. Vá ler O Talismã como um excelente livro de fantasia, escrito por King e Peter Straub, que mescla aventura, outros mundos, criaturas arrepiantes e, em muitos casos, situações desesperadoras. Para começar que Jack Sawyer, nosso protagonista, tem apenas doze anos e precisa atravessar da costa leste para a costa oeste dos Estados Unidos completamente sozinho. Claro, se não contarmos as pessoas e criaturas que estão atrás dele.

Sua mãe está morrendo de câncer, e Jack faria qualquer coisa para salvá-la. De acordo com seu amigo Speedy Parker, há um grande Hotel Negro, na costa oeste, que abriga um Talismã, capaz de salvar Lily Cavanaugh. Na verdade, o Talismã é capaz de salvar também a rainha Laura DeLoessian, o duplo da mãe de Jack nos Territórios.

Aliás, é Speedy que mostra os Territórios para Jack, que são como universos paralelos ao nosso. Os Territórios são quase igual ao nosso mundo, mas em uma era semelhante à Idade Média, quase feudal. Neles, vivem humanos e outras criaturas, inclusive mágicas, como plantas que atacam Jack em uma de suas primeiras visitas ao lugar.

Além disso, algumas pessoas têm “duplos” nesses territórios. É como se elas fossem a mesma pessoa, com consciências separadas em cada mundo, mas com vidas entrelaçadas: se morrer lá, morre-se aqui, e vice-versa. Ou seja, para salvar sua mãe, ele precisa salvar também a rainha. O que faz Jack mais do que especial para o trabalho de buscar o Talismã é que ele não tem mais um duplo do lado de lá, sendo somente Jack em ambos os mundos.

Amedrontado, porém resoluto, Jack deixa o Arcadia Beach, o hotel escolhido por sua mãe para passar o resto de seus dias, munido de uma garrafinha capaz de levá-lo para os territórios. De carona em carona, de história inventada em história inventada, ele vai avançando pelos mundos. No meio do caminho, faz amizade com uma das personagens mais fascinantes da história: o Lobo. Ele é um lobisomem de dezesseis anos que passa a ser companheiro de viagem de Jack, além de seu melhor amigo, que não mede esforços para ajudá-lo.

No caminho, eles precisarão enfrentar o malvado tio Morgan, e seu duplo nos territórios, assim como todos os seus capangas, que evocam o que há de mais sombrio em todo o livro, deixando claro que, mesmo que a história tenha um adolescente como protagonista, não é necessariamente um livro infanto-juvenil.

Confesso que foi o primeiro livro de Stephen King que li na vida, e confesso que não sei se conseguirei gostar tanto de outro livro dele, embora ele tenha escrito dezenas de outros. O Talismã consegue trazer uma fantasia que não subestima o leitor, em que o protagonista não é salvo milagrosamente e em que não há misericórdia em uma fantasia fascinante. Seguir Jack e toda a sua coragem por mais de 750 páginas não foi difícil (embora carregar o livro por aí tenha sido) e certamente foi uma experiência memorável.

O Talismã me conquistou de uma forma inesperada e me parece ter sido um ótimo ponto de partida para o universo de Stephen King envolvendo os Territórios, que novamente aparecem em outras obras, sendo A Torre Negra talvez a mais famosa.

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Stephen King e Peter Straub (1984). O Talismã (The talisman). Editora Suma de Letras. Tradução de Mário Molina. 751 páginas.

Gabriela Colicigno

Jornalista, ruiva, nerd, geek e louca por chocolate. Passa a maior parte do tempo do dia no computador, vendo seriados no Netflix, lendo um livro, ouvindo música ou brincando com os gatos.

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