Uncharted 4: A Thief’s End – O melhor blockbuster do ano?

O mês de julho já está aqui e isso só pode significar uma coisa: o verão reina! Err… digamos, nos termos hollywoodianos, já que aqui em São Paulo ainda estamos no inverno. Mas este texto não é sobre o clima e sim sobre a maior (e talvez a melhor) experiência blockbuster que um gamer poderia ter em 2016: Uncharted 4: A Thief’s End.

001Quando a franquia Uncharted teve seu início em 2007, com Drake’s Fortune, os olhos de cada proprietário de um PS3 brilharam perante a esmera qualidade de gráfico e narração encontrada no game. Tratava-se basicamente de uma variação da fórmula eternizada pela franquia Lara Croft: Tomb Raider, apenas com uma execução muito mais cinemática e um sistema de cover-shooting relativamente mais fluido (mas ainda assim problemático). Em 2009, a franquia teve sua primeira sequência, Uncharted 2: Among Thieves, que trouxe grandes melhorias em absolutamente todos os campos presentes no original, com a adição de um divertido porém simplório modo multijogador. A sequência também trazia diversos momentos ambiciosos, com destaque para a famosa fase do trem (essa mesmo). Por fim, em 2011, chegava o terceiro e último capítulo da série na geração passada de consoles, Uncharted 3: Drake’s Deception. Sem provocar a mesma sensação de surpresa que o anterior e apresentando uma história que não chega a cumprir com a própria premissa, o título ainda assim impressionava por suas diversas cenas de ação memoráveis e minúcias técnicas.

Cinco anos depois, período durante o qual desenvolveram o game de survival-horror The Last of Us (cuja crítica publiquei aqui), a desenvolvedora Naughty Dog lança a verdadeira conclusão da franquia Uncharted, A Thief’s End. Com a saída de Amy Hennig, assumem a direção Bruce Straley e Neil Druckmann, responsáveis por The Last of Us. As mudanças são imediatamente perceptíveis, já que, enquanto nos títulos anteriores a aventura seguia um ritmo meteórico do começo ao fim, aqui a narrativa dá bastante espaço para um desenvolvimento mais intimista de suas personagens. Logo no início do game, a sequência na casa de Drake e Elena, na qual o jogador tem a oportunidade de caminhar pelo local e explorar diversos objetos pessoais do casal, já representa uma grande mudança para a fórmula da série. Isso, no entanto, não quer dizer que a aventura deixe a desejar no quesito ação: pelo contrário, há um excesso dela, principalmente nas últimas 4 horas da campanha, a mais longa da franquia até hoje.

002A trama, em linhas gerais, é a seguinte: Nathan Drake, após suas aventuras ao lado do mentor Victor “Sully” Sullivan e da jornalista Elena Fisher, vive uma vida pacata e trabalha como um mergulhador para uma empresa de recuperação de cargas. Em uma certa noite, o irmão de Nathan, Sam Drake, antes presumido como morto, reaparece para a surpresa do protagonista. Sam, cuja obsessão por tesouros também assume contornos perigosos, está em dívida com um chefão do crime e para se livrar dela, precisa encontrar a mítica cidade de Libertalia e o tesouro de seu fundador, o pirata Henry Avery. Como este é um jogo de ação e não um simulador da vida adulta e mundana, Nathan decide ajudar seu irmão e os dois partem em uma aventura cheia de reviravoltas e revelações. Esta é com certeza a melhor história da franquia e serve uma conclusão digna e satisfatória para Nathan Drake na dimensão dos games (pois afinal nunca se sabe quando e se de fato haverá uma versão cinematográfica).

Com respeito à jogabilidade, é o Uncharted de sempre só que ainda mais refinado. O controle de mira apresenta uma maior fluidez, assim como a mecânica de escalada. Há também novos elementos como o gancho (que permite que Nathan se balance de um lugar a outro, o que nunca deixa de entreter) e seções nas quais o personagem pode dirigir um jipe 4 x 4, facilitando a exploração em cenários mais extensos. Há também um componente multiplayer bastante competente, apesar de simples (diga-se de passagem, o modo roda em 60 quadros por segundo com pouquíssimos lags).

003No campo sonoro, este capítulo segue o mesmo padrão altíssimo apresentado por seus precursores. Nolan North e Emily Rose reprisam seus papéis como Nathan e Elena, respectivamente, enquanto Troy Baker, intérprete de Joel em The Last of Us, faz sua primeira participação na franquia como o irmão Sam. O elenco está uniformemente excelente, o que deixa a trama ainda mais cativante. Além disso, o trabalho de som dos ambientes e nas sequências de ação é um deleite para os tímpanos, e a trilha sonora original de Henry Jackman (responsável pela trilha de filmes como Capitão América: Guerra Civil e Kingsman: O Serviço Secreto) ajuda a manter uma constante atmosfera de aventura e surpresa.

Há alguns problemas em Uncharted 4: A Thief’s End, é claro. Embora o tom intimista da trama seja um ponto positivo, isto exaltou ainda mais o estranhamento que tive ao testemunhar toda a onda de violência na qual Nathan toma parte, entrando em inúmeros conflitos com mercenários sem nome, para depois voltar à sua vida normal e interagir com seus companheiros como se nada tivesse acontecido. O contraste entre as nuances nas relações pessoais das personagens e a lógica absurda das cenas de ação atinge seu limite no ato final, desnecessariamente extenso, prejudicando a imersão. Além disso, se o game decide colocar Nathan numa posição de semideus nas seções de tiroteio e briga, podiam então ter jogado um pouco mais da lógica pela janela e incluído Elena004 muito mais na aventura, afinal, se os dois se entendiam tão bem, faria mais sentido se tivessem mais tempo lado a lado. Não significa que ela tenha poucos momentos dignos ao longo da trama, mas se tratando de um capítulo final, poderíamos ter visto mais dela.  DLC talvez?

Em suma, se você é gamer e está com aquela coceira por uma aventura divertida, extensa e bem-contada, Uncharted 4: Thief’s End é uma excelente opção. Neste “Verão” tão repleto de decepções no cinema blockbuster, há um vencedor invicto… seguido por Guerra Civil.

Ah, e caso esteja se perguntando por quê não mencionei os gráficos, digamos que as imagens falem por elas mesmas…

Caio Vechiato

Caio é estudante de Rádio e TV, cinéfilo, gamer e, apesar de ter chorado algumas lágrimas, continua muito chateado com o precoce fim de Penny Dreadful.

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