Vingadores Era de Ultron: Igual, Para o Bem e Para o Mal

Colocado de forma simples, Vingadores: Era de Ultron (Avengers, Age of Ultron, EUA, 2015) não é nem melhor nem pior do que o primeiro filme, escrito e dirigido por Joss Whedon em 2012. É igualmente bom, com mais falhas e com mais qualidades que compensam seus múltiplos defeitos. Para os fãs mais fervorosos do estúdio Marvel e da série de filmes lançada desde Homem de Ferro em 2008 isso pode ser um pecado mortal, mas eu não julgaria tão cedo.

Vingadores 1

Anos depois de Nova York ter sido destruída por uma raça alienígena e pouco tempo depois da S.H.I.E.L.D. ter sido desmantelada pela organização Hidra, os Vingadores estão de volta em algum lugar frio e distante do outro lado do mundo lutando contra um exército inimigo para recuperar o cetro utilizado pelo semi-deus Loki durante a invasão retratada no filme de 2012.

Eis que as coisas ficam complexas: Homem de Ferro (Robert Downey Jr) descobre um programa de pacificação dormente chamado Ultron e tem a brilhante ideia – ao lado de Bruce Banner (Mark Rufallo) de revivê-lo. Clichescamente não dá certo e o programa sai por aí com a voz de James Spader (The Blacklist) destruindo tudo por aí e recrutando jovens humm… Mutantes chamados Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen) e Mercúrio (Aaron-Taylor Johnson) para destruir tudo por aí. O plano dele é simples: destruir tudo. Eu gosto. É simples e fácil de lembrar.

Vingadores 4

Eis que a trupe de sempre – Capitão América (Chris Evans), Thor (Chris Hemsworth), Viúva Negra (Scarlett Johansson), Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) e os já mencionados Homem de Ferro Hulk – devem se unir para detê-lo. Sequências de ação se acumulam sendo comumente genéricas e, até mesmo, mal filmadas pelo diretor Joss Whedon, fazendo com que algumas cenas se tornem confusas.

Vingadores 3

Um ponto bastante criticado pelos fãs da franquia é a qualidade da computação gráfica, que não estaria a par de um filme desse calibre com o orçamento de 250 milhões de dólares. Não é que os efeitos são ruins, mas são altamente genéricos, somando-se à uma fotografia genérica e uma trilha sonora composta por Brian Tyler e Danny Elfman altamente… genérica. Meu ponto está ficando claro?

O maior problema, no entanto, seria a quantidade de elementos colocados em cena no decorrer do filme. É ok fazer um filme de 140 minutos apresentando os personagens todos juntos, construindo as dinâmicas e relações de confiança e desconfiança entre eles antes de partir para ação, como no primeiro. O problema é colocar o dobro de personagens, o dobro de situações, de problemas, de sequências de ação e de dinâmicas em um filme com a mesma duração. Mais é mais, só que normalmente não é. Dessa forma, pouca coisa fica desenvolvida, e muitos personagens interessantes são deixados de fora, ou pouco desenvolvidos assim como muitas das situações propostas. Os diálogos são envolventes, mas interrompidos pelas pancadarias.

Vingadores 2

Tudo bem. Há muitos problemas, mas nem tudo é ruim em Era de Ultron. Por exemplo, o próprio Ultron, interpretado brilhantemente por James Spader com a tecnologia de captura de movimentos é um vilão bem desenvolvido. Spader interpreta com humor, ferocidade e, quem diria, vulnerabilidade de maneira que Ultron se torna um personagem com nuances e motivações bem delimitadas.

Mais é explicado sobre a vida pessoal do Gavião Arqueiro, o que é uma agradável surpresa e o romance entre Bruce Banner e a Viúva Negra traz mais profundidade aos dois personagens e demonstra uma agradável química não esperada entre Johansson e Rufalo (o melhor ator dos vingadores). Capitão América ainda tem os melhores momentos e ações, enquanto as melhores falas novamente ficam à cargo do vilão. Robert Downey Jr. de novo mostra suas limitações como ator e é o ponto mais fraco do grupo, embora tenha o papel de destaque. E, por fim, Paul Bettany faz uma breve porém fantástica aparição como Jarvis/Visão e tem uma cena espetacular junto de Ultron no fim do filme. Pena que é curta.

Então, você coloca James Spader e Paul Bettany juntos na mesma cena e esperam que eles roubem o filme. Humm… Não. Vingadores Era de Ultron não é ruim, mas não traz nada de novo e isso não é bom. Daí a sensação para o fã da Marvel de que este filme foi pior que o primeiro. Não necessariamente. Só não foi melhor, o que ainda põe Capitão América O Soldado Invernal como o melhor filme da franquia até o momento. Dito isso, reitero que James Spader e Paul Bettany dão um verdadeiro show juntos. Raios, eu assistira este filme de novo só para vê-los.

Roberto Fideli

Jornalista e mestrando da Faculdade Cásper Líbero. Fanático por cinema, desenhos japoneses, fantasia e ficção científica. Seu sonho é ser piloto de naves espaciais, mas não tem coordenação motora para isso.

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